R. Museu Arq. Etn., 37: 5-19, 2021. 5 * Docente da Universidade Federal Fluminense/Doutora em Memória Social pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (unirio). <adri.russitm@gmail.com> ** Coordenadora do Programa do Tumucumaque do Instituto de Pesquisa e Formação (Iepé)/Doutora em Antropologia pela Universidade de São Paulo (USP). <denise@institutoiepe.org.br> Um panorama acerca dos estudos sobre os Katxuyana, Kahyana e outros yanas Adriana Russi * Denise Fajardo ** RUSSI, A; FAJARDO, D. Um panorama acerca dos estudos sobre os Katxuyana, Kahyana e outros yanas. R. Museu Arq. Etn. 37: 5-19, 2021. Resumo: Neste capítulo, é apresentada uma síntese comentada de estudos que versam sobre os Katxuyana, Kahyana e outros yanas que vivem nas regiões dos rios Cachorro e Trombetas e adjacências. O recorte temporal escolhido corresponde aos estudos publicados a partir de 1900, embora eles apontem informações de fontes históricas anteriores. Com a apreciação dessas obras, busca-se destacar a ênfase temática dos textos, a depender do momento sócio- histórico, e as principais contribuições dos pesquisadores sobre esses povos. Palavras-chave: Katxuyana; Yana; Estudos; Rio Cachorro; Rio Trombetas. D ata da segunda metade do século XVII a presença da Ordem Franciscana na região da Amazônia brasileira, no rio Trombetas (afluente da margem esquerda do rio Amazonas no estado do Pará). Alguns pesquisadores, em seus trabalhos 1 , demonstraram como se firmou essa presença desde então, tornando os franciscanos “responsáveis por aldeamentos previamente firmados por jesuítas nas imediações do Trombetas e Amazonas” (Girardi 2011: 47). Nos anos 1960, Dascha Detering (1962), por ocasião da elaboração de seu texto sobre trançados dos Katxuyana, escreveu que naquele momento não era possível saber, de acordo com a literatura disponível, quem teria 1 Eurípedes Funes (1995, 2000) e Antonio Porro (2002, 2008). “descoberto” ou quem teria sido o primeiro a mencionar a existência dos Kaschuyana (hoje autonomeados Katxuyana). O(a) leitor(a) encontrará tal artigo incorporado a este Dossiê. Posteriormente, nessa direção é que se encaminharam algumas das pesquisas do frei franciscano e antropólogo alemão Protásio Frikel, uma delas tendo resultado em um de seus trabalhos mais importantes sobre esse povo: Os Kaxuyana: notas etno-históricas (Frikel 1970a). Nessa obra, Frikel lança mão de textos e crônicas de viajantes e cronistas dos tempos coloniais de meados do século XVII e XVIII. A partir desse levantamento, ele identifica que o primeiro documento mencionando os Katxuyana fora aquele produzido pelo frei Francisco de São Marcos, no relato de sua viagem ao rio Trombetas entre 1725 e 1728. Segundo Frikel, no texto original, esse grupo indígena era denominado como os “Caxorená”, e o rio Cachorro ou Kaxúru identificado em mapas antigos como rio Kasúru, que em algum dialeto local karib significaria “miçanga, conta ou colar pendente”.