101 Educação em Revista, Marília, v.10, n.1, p.101-112, jan.-jun. 2009. Cosmopoliticidade e educação de adultos Cosmopoliticidade e educação de adultos na era da globalização Cosmopoliticity and adult education in the era of globalization Carlos V. ESTÊVÃO 1 Resumo: Pretende-se articular o processo de globalização com a construção do cosmopolitismo e da justiça social, distinguindo nesta discussão diversas modalidades de cosmopolitismo, nomeadamente a neoliberal e a democrática. Na linha desta última, o autor aprofunda a noção de cosmopoliticidade, a partir dos contributos de Archibugi e de Freire, para vincar não apenas a ideia de universalidade mas também a de dialogicidade global e de politicidade. Este trabalho termina com as implicações da cosmopoliticidade democrática na educação de adultos, no sentido de esta contribuir para o reforço da justiça global e para o “cultivo da humanidade”. Palavras-chave: Globalização. Cosmopolitismo. Educação. Justiça e direitos 1 GLOBALIZAÇÃO, COSMOPOLITISMO E JUSTIÇA SOCIAL A globalização contemporânea é um fenômeno complexo, multidimensional, que suscita não só perplexidades e muitas críticas, mas também oportunidades de alargar os âmbitos institucionalizados e as redes de mobilização política em que os cidadãos podem vir a intervir, ao mesmo tempo em que lhes permite tomar parte das decisões e em atividades reguladoras que transcendem a esfera jurisdicional das políticas nacionais. Esta capacidade de intervenção política dos cidadãos torna-os mais cidadãos do mundo, mais cosmopolitas. No entanto, este status cosmopolita não obedece a uma via única. Ele pode construir-se segundo duas direcções, uma de teor mais mercantilista e de celebração não crítica da globalização, e outra, de acordo com um pendor mais democrático e assumidamente mais político, na linha da aspiração a uma justiça global e universalização dos direitos humanos (GOWAN, 2003; URBINATI, 2003). 1 Docente do Departamento de Sociologia da Educação e Administração Educacional, Instituto de Educação e Psicologia, Universidade do Minho, Braga, Portugal. https://doi.org/10.36311/2236-5192.2009.v10n1.646