Anais do II Seminário Internacional História do Tempo Presente, 13 a 15 de outubro de 2014, Florianópolis, SC Programa de Pós-Graduação em História (PPGH), Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC) Redes Familiares: um palco para atos de reciprocidade e conflitos Elton Francisco 1 Eunice Sueli Nodari 2 Resumo: Não raramente os recursos utilizados pelos e/imigrantes brasileiros que rumaram aos Estados Unidos nas últimas décadas, e que definitivamente não são apenas financeiros, desvelam estratégias familiares no sentido de tornar possível a experiência migratória de um ou muitos de seus membros. Os relatos orais desses imigrantes têm mostrado que as redes familiares têm se apresentado como uma importante estratégia para a concretização de projetos e experiências migratórias no mundo globalizado. Mas eles também apontam para a ideia de que essas redes não são espaços constituídos apenas por atos de reciprocidade mas também de renegociações e conflitos. Neste trabalho analiso através de relatos orais de imigrantes brasileiros nos Estados Unidos como as redes familiares têm se apresentado como um palco de reciprocidade, negociações e conflitos nas suas experiências e/imigratórias. As narrativas orais de 10 e/imigrantes brasileiros, homens e mulheres, são metodologicamente tratadas a partir da perspectiva da História Oral e provenientes da realização de dois diferentes trabalhos de campo, o primeiro deles com e/imigrantes retornados na cidade de Governador Valadares (MG- Brasil) em novembro de 2010 e o segundo com e/imigrantes que ainda vivem nos Estados Unidos, na região da Grande Boston (MA-EUA) no primeiro semestre de 2014. Palavras-chave: E/imigração; Redes familiares; Reciprocidade e conflito. Introdução A emigração de um número significativo de brasileiros para o exterior, principalmente para os Estados Unidos e Europa, ainda é um fenômeno recente. Este fluxo se inicia de forma bastante esporádica na década de 1960, intensifica-se ao longo da década de 1980 e podemos localizá-lo especificamente em algumas cidades brasileiras como Governador Valadares (MG) e Criciúma (SC). Na virada do século XX, no entanto, a realidade da emigração já fazia parte do cotidiano de milhares de brasileiros de modo que podemos falar em um espraiamento dos locais de saídas destes emigrantes, abrangendo, por exemplo, outras cidades como Maringá (PR) ou mesmo regiões vizinhas às cidades já citadas. Com este movimento migratório o Brasil se insere na dinâmica de um novo panorama mundial marcado também por novos fluxos migratórios internacionais, sobretudo a partir da década de 1970 no contexto da chamada “crise do petróleo”. Nesse processo, e paulatinamente, desvanece a idéia de que o Brasil é somente país de imigração. 1 Doutorando do Programa de Pós-graduação em História Cultural da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Bolsista Capes, PDSE. Email: eltgamb@gmail.com 2 Professora doutora do Programa de Pós-graduação em História Cultural da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Email: Eunice.nodari@gmail.com