XII SIMPEP - Bauru, SP, Brasil, 07 a 09 de novembro de 2005 Estratégias de financiamento do capital de giro em empresas do setor alimentício Flávio Dias Rocha (Cepead/Face/UFMG) – fdr@cepead.face.ufmg.br Daniela Ferro de Oliveira (Cepead/Face/UFMG) – dfo@cepead.face.ufmg.br Tales Sarmento Lacerda (Cepead/Face/UFMG) – tsl@cepead.face.ufmg.br Victor Natanael Schwetter Silveira (Cepead/Face/UFMG) – vnss@cepead.face.ufmg.br RESUMO O presente trabalho tem como finalidade principal a identificação das estratégias de financiamento do capital de giro das empresas do setor alimentício listadas na Bovespa, buscando identificar possíveis padrões de financiamento dentro dos segmentos que compõem este setor. Inicialmente, são feitas algumas considerações sobre o papel das decisões de financiamento na gestão do capital de giro das empresas, com base nos perfis financeiros do modelo dinâmico de Fleuriet et. al. (1978), além de serem apresentadas os tipos de estratégias possíveis de serem adotadas para essa finalidade. A seguir, é apresentado um panorama geral do setor. Por fim, são feitas análises dos demonstrativos de 11 empresas do setor, no período de 2002 a 2004, com a finalidade da identificação dessas estratégias. Os resultados mostraram a existência de padrões de financiamento mais conservadores no setor cafeeiro e mais agressivos nos segmentos de carnes e de laticínios, além da não-identificação de padrões no setor de grãos. Palavras-chaves: Capital de Giro; Padrão de Financiamento; Perfis Financeiros. 1. INTRODUÇÃO A estrutura de financiamento das empresas pregada pela teoria se baseia na utilização de recursos próprios e financiamentos de longo prazo para financiar os ativos permanentes e os ativos circulantes permanentes, restando as fontes de financiamento de curto prazo para financiar os ativos circulantes temporários — as necessidades sazonais. Entretanto, a realidade mostra que a tendência é as empresas buscarem fontes de empréstimos de curto pra- zo para financiar os ativos circulantes permanentes e temporários, ficando os financiamentos de longo prazo e os capitais próprios para financiarem os ativos permanentes. Daí decorre a prática da constante busca de recursos de curto prazo. Em princípio, embora o crédito de curto prazo seja geralmente mais arriscado do ponto de vista da empresa, ele apresenta vantagens como ser obtido mais rapidamente, possuir acordos mais flexíveis e menos onerosos, entre outras (WESTON e BRIGHAM, 2000). Contudo, o que ocorre no Brasil é que os financiamentos de curto prazo possuem um custo muito mais alto que os de longo prazo, caracterizando a situação da curva invertida de estrutura de termo das taxas de juros. Isso tem levado várias empresas brasileiras a entrarem em períodos de dificuldades financeiras. O país também possui poucas opções de recursos de longo prazo disponíveis, sendo os mais usuais o BNDES – Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social – e a emissão de títulos de dívida (debêntures). Neste contexto, torna-se relevante analisar como as empresas estão financiando seu capital de giro e quais são as estratégias adotadas para isso (conforme a classificação apresentada por Neves (1989)).