1 Anuário de Literatura, Florianópolis, v. 26, p. 01-06, 2021. Universidade Federal de Santa Catarina. ISSN 2175-7917. DOI http://doi.org/10.5007/2175-7917.2021.e85090 DE BATENTES, VENEZIANAS, DOBRADIÇAS, VIDROS: MOLDURAS QUE ENQUADRAM SENSAÇÕES, FORMAS, SENTIDOS From jambs, shutters, hinges, windowpanes: framing sensations, shapes, senses Bianca Rosina Mattia https://orcid.org/0000-0002-0136-1241 Elton da Silva Rodrigues https://orcid.org/0000-0002-1890-7482 Isabele Soares Parente https://orcid.org/0000-0003-0561-5488 Jair Zandoná http://orcid.org/0000-0002-4301-9436 Tânia Regina Oliveira Ramos http://orcid.org/0000-0002-2477-0419 Universidade Federal de Santa Catarina, Programa de Pós-Graduação em Literatura, Florianópolis, SC, Brasil. 88040-900 – ppglitufsc@gmail.com Quem olha, de fora, através de uma janela aberta, não vê jamais tantas coisas quanto quem olha uma janela fechada. Não há objeto mais profundo, mais misterioso, mais fecundo, mais tenebroso, mais deslumbrante do que uma janela iluminada por uma vela. O que se pode ver à luz do sol é sempre menos interessante do que o que se passa atrás de uma vidraça. Nesse buraco negro ou luminoso vive a vida, sonha a vida, sofre a vida. Charles Baudelaire, Pequenos poemas em prosa, 2006, p. 211. É assim que o conhecido poema em prosa “As janelas” de Charles Baudelaire inicia, convidando-nos para uma leitura mais atenta com relação às transformações da vida moderna. O olhar, nesse processo, talvez seja um dos mais recorrentes recursos que compõem a modernidade e a flânerie. Daí que o sujeito poético reflete sobre as diferenças existentes entre uma janela fechada e outra aberta, o que remeteria à nova condição de viver modernamente: tal como a pessoa que vê através dos vidros das lojas e dos cafés o espaço exterior, permitindo que penetre na vida alheia, adote – e não há como deixar de lembrar de “As multidões”, outro poema baudelairiano – como suas as profissões, alegrias,