402 Gomes, A.m.A. et al. Oecol. Bras., 13(2): 402-412, 2009 EFEITO DE DIFERENTES CONCENTRAÇÕES DE CARBONO ORGÂNICO DISSOLVIDO E BACTÉRIAS NA DEGRADAÇÃO DE MICROCISTINAS (CIANOTOXINA) Andreia Maria da Anunciação Gomes 1* , Ana Cláudia Pimentel de Oliveira 2 & Sandra Maria Feliciano de Oliveira e Azevedo 1 1 Laboratório de Ecofsiologia e Toxicologia de Cianobactérias, Instituto Biofísica Carlos Chagas Filho, Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Ilha do Fundão. CEP 21941-590. Rio de Janeiro, RJ, Brasil. 2 Fundação Estadual de Engenharia do Meio Ambiente, Divisão de Laboratórios, Laboratório de Biologia – Avenida Salvador Allende, 5500, Recreio dos Bandeirantes. CEP 22780-160. Rio de Janeiro, RJ, Brasil. *E-mail: amagomes@biof.ufrj.br RESUMO O processo de degradação de microcistinas está relacionado a diversos fatores como: a sua concentração inicial, os microrganismos presentes, a temperatura da água, o pH e a disponibilidade de fontes de carbono orgânico, dentre outros. Este trabalho teve como objetivo verifcar o processo de degradação de microcistinas em águas com diferentes concentrações de carbono orgânico dissolvido (COD) e a infuência da comunidade bacteriana nesse processo. Para tanto, um extrato aquoso de microcistinas semi-purifcado foi adicionado a água da Lagoa de Jacarepaguá (RJ), previamente diluída em água deionizada para obtenção das concentrações de 28, 43 e 60mg L -1 de COD na presença de bactérias e 43 e 60mg.L -1 de COD na ausência de bactérias. Durante os testes foram determinadas as concentrações de microcistinas e a quantifcação da população bacteriana. As maiores concentrações de COD (43 e 60mg L -1 ), que apresentavam 10 7 colônias mL -1 de bactérias, favoreceram a degradação total das microcistinas em 14 dias, enquanto que na condição de 28mg L -1 com 10 5 colônias mL -1 , após 42 dias ainda era possível detectar 12,8µg L -1 de microcistinas. As maiores concentrações de COD favoreceram o crescimento bacteriano e também foram as mais efcientes na degradação das microcistinas. Na ausência de bactérias, o processo de degradação foi bastante lento (30 dias), confrmando os resultados anteriores que mostram a importância da atividade bacteriana nesse processo. Entretanto, não foi verifcada a degradação das microcistinas pelas cepas de bactérias Gram negativas isoladas. Palavras-chave: Cianobactérias, microcistinas, biodegradação, carbono orgânico dissolvido, bactéria. ABSTRACT EFFECTS OF DIFFERENT DISSOLVED ORGANIC CARBON CONCENTRATIONS AND BACTERIAL ACTIVITY ON BIODEGRADATION OF MICROCYSTIN (CYANOTOXIN). Microcystins degradation depends on several factors like initial concentration in water, presence of microorganisms, temperature, pH, presence of other available sources of organic carbon, and others. The aims of this study were to measure microcystin degradation under different concentrations of dissolved organic carbon (DOC), and determine the infuence of bacterial community on this process. For this purpose, water from the Jacarepaguá Lagoon (Rio de Janeiro, Brazil) was diluted in deionized water in order to obtain fnal concentrations of DOC of 60, 43 and 28mg L -1 (water with bacteria), and fnal DOC concentrations of 43 and 60mg L -1 (water without bacteria). A semi-purifed microcystin extract was prepared and mixed with these samples, and the concentration of microcystin and bacteria were quantifed through the time. We found that DOC concentrations of 43 and 60mg L -1 with bacteria promoted total degradation of microcystin within 14 days. On the other hand, a DOC concentration of 28mg L -1 with bacteria still contained detectable microcystin after 42 days. Higher DOC concentrations promoted bacterial growth and rapid microcystin degradation. Microcystin degradation just occurred after 30 days in the absence of bacteria, illustrating their importance in this process. However, Gram negative bacteria strains isolated during the tests were not able to biodegrade microcystin. Keywords: Cyanobacteria, microcystins, biodegradation, dissolved organic carbon, bacteria.