Anais do 2° Simpósio Brasileiro de Design Sustentável (II SBDS) Jofre Silva, Mônica Moura & Aguinaldo dos Santos (orgs.) Rede Brasil de Design Sustentável – RBDS São Paulo | Brasil | 2009 ISSN 21762384 Ambiente e Desenvolvimento Sustentável para designers gráficos Environment and Sustainable Development for graphic designers Ângela Pinto Rangel i design, desenvolvimento sustentável, necessidades humanas O presente artigo é uma reflexão crítica acerca do desenvolvimento sustentável e suas implicações atuais na prática do design. Neste sentido, é feita uma busca das diversas faces e conceitos atribuíveis a "necessidade" e "ambiente", levando em conta questões como consumo e desperdício. O levantamento de distintas perspectivas possibilita uma visão histórica e interdisciplinar dos temas, evidenciando um panorama onde se insere a produção do designer gráfico na sociedade atual, bem como suas aplicações práticas possíveis dentro de uma política de ação em prol das necessidades humanas. design, sustainable development, human needs This article is a critical reflection on sustainable development and its implications in the current practice of design. Accordingly, a search is made for different faces and concepts attributed to "need" and "environment", taking into account issues such as consumption and waste. The survey of different perspectives provides a historical and interdisciplinary overview of theses subjects, showing a picture which includes the production of the graphic designer in society today, and also its possible practical applications within a policy of action in support of human needs. 1 Ambiente: raízes etimológicas e frutos subjetivos Popularizado em referência à ideia que temos de natureza, o termo ecologia (Ökologie) foi cunhado, em 1866, pelo biólogo alemão Ernst Haeckel (1834-1919), ao resgatar o conceito grego de οικοζ, que significa algo como ‘casa’, ‘lugar habitado’, ‘bem doméstico’, ‘habitat’ ou ‘meio natural’. Tal resgate serviu para denominar o que se propunha a estudar: o ecossistema, suas leis eternas e relações harmônicas internas, como fenômeno a ser reproduzido pelas sociedades humanas. Portanto, a intenção ecológica é muito mais filosófica e sociológica, do que propriamente biológica. A ecologia purista não prevê intervenções humanas em seu meio, mas sim o aprendizado a partir dele. No início do século XX, distante da pretensão de Haeckel, a ecologia tornou-se uma ciência no meio acadêmico, tendo sua relação subjetiva totalmente desvinculada nesse âmbito. Sendo assim, foi assumida como um ramo da biologia com a finalidade de estudar objetivamente os seres vivos, o espaço onde vivem e as relações que estabelecem entre eles. Essa objetividade transformou a ecologia em um estudo mais zoológico que propriamente filosófico ou sociológico. Contemplando o ecossistema, de maneira objetiva ou subjetiva, ‘o homem, em um suposto mundo recortado academicamente, é apenas um espectador, e, só eventualmente, um agente que agrega distorções ou ruídos no momento em que se incorpora’ (FEDEROVISKY, 2007:15-16). A visão da ecologia enquanto movimento de preservação foi uma consequência tardia do estudo do meio natural e constatação do impacto da ocupação humana. Em 1920, talvez como um resgate do pensamento de Haeckel, começou a ser difundida a ‘Ecologia Humana’ (Human Ecology), um campo de estudo interdisciplinar que se utiliza de uma abordagem holística para resolver problemas e aumentar o potencial humano em relação ao seu meio mais próximo (pertences, família, sua comunidade).