Calidoscópio Vol. 14, n. 2, p. 209-218, mai/ago 2016 Unisinos - doi: 10.4013/cld.2016.142.03 Este é um artigo de acesso aberto, licenciado por Creative Commons Atribuição 4.0 International (CC BY 4.0), sendo permitidas reprodução, adaptação e distribuição desde que o autor e a fonte originais sejam creditados. 1 Uma versão preliminar desta pesquisa foi publicada nos Anais do XI Encontro do Círculo de Estudos Linguísticos do Sul, realizado em Chapecó (SC), de 12 a 14 de novembro de 2014, com o título “A paisagem (socio)linguística da cidade de Juiz de Fora/MG: o estudo de um ambiente plurilíngue em tempo real”. 2 Doutoranda em Linguística na Universidade Federal de Juiz de Fora. Rua José Lourenço Kelmer, s/n, Martelos, 36036-330, Juiz de Fora, MG, Brasil. 3 Doutoranda em Linguística na Universidade Federal de Juiz de Fora. Rua José Lourenço Kelmer, s/n, Martelos, 36036-330, Juiz de Fora, MG, Brasil. 4 Professora Adjunta da Faculdade de Letras da Universidade Federal de Juiz de Fora. Rua José Lourenço Kelmer, s/n, Martelos, 36036-330, Juiz de Fora, MG, Brasil. Paisagem linguística e repertórios em tempos de diversidade: uma situação em perspectiva 1 Linguistic landscape and repertoires in times of diversity: A situation in perspective Mariana Schuchter Soares 2 marischuchter@yahoo.com.br Universidade Federal de Juiz de Fora Raquel Santos Lombardi 3 raquellombardi@yahoo.com.br Universidade Federal de Juiz de Fora Ana Claudia Peters Salgado 4 ana.peters@ufjf.edu.br Universidade Federal de Juiz de Fora RESUMO - Este trabalho discute a realidade dinâmica e crescente em termos de contatos linguístico-culturais na cidade de Juiz de Fora (MG), em tempos de (super)diversidade. Desconstruímos a ideia de que a cida- de é monolíngue através da observação de sua paisagem, que não é só linguística, mas também social. Para isso, recorremos aos conceitos de paisagem linguística de Shohamy e Gorter, de repertórios comunicativos de Rymes e de repertórios espaciais de Otsuji e Pennycook. Assim, atra- vés de um estudo qualitativo etnográfco, ainda em andamento, baseado em notas expandidas e fotografas, notamos que a nova realidade pode ser favorável a variações na língua e na cultura locais, modifcando os repertórios comunicativos dos indivíduos presentes nesse cenário. Palavras-chave: superdiversidade, paisagem linguística, repertórios comunicativos. ABSTRACT - This work discusses the dinamic and increasing reality in terms of linguistic and cultural contacts in the city of Juiz de Fora (Brazil), in (super)diversity times. We deconstruct the idea that the city is monolingual through the observation of its landscape, that is not only a linguistic one, but also a social one. Thereunto, we use the concepts of linguistic landscape by Shohamy and Gorter, communicative repertoires by Rymes and spatial repertoires by Otsuji and Pennycook. So, through an ethnographic qualitative study in progress, based on expanded notes and photographs, we have noticed that the new reality may be favorable to variations in language and local culture, changing the communicative repertoires of the individuals from this scenario. Keywords: superdiversity, linguistic landscape, communicative repertoires. Introdução Em contextos cada vez mais plurais e marcados pela diversidade – política, ideológica, cultural, linguís- tica etc. –, o tema línguas/culturas em contato mostra-se bastante relevante. Por isso, revisitamos alguns conceitos diante das transformações trazidas pelo advento de novas e mais rápidas tecnologias, e de inovações nas formas de se comunicar e transitar pelo mundo. Para tal, recorremos a um estudo qualitativo etnográfco, ainda em andamento, baseado em notas expandidas feitas pelas pesquisadoras e em fotografas da paisagem linguística de Juiz de Fora. A localidade foi selecionada para esta pesquisa principal- mente por ser considerada uma “cidade universitária”, a