SBPJor Associação Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo 14º Encontro Nacional de Pesquisadores em Jornalismo Palhoça Unisul Novembro de 2016 :::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::: 1 A emoção no jornalismo e a organização do enquadramento Débora Lapa Gadret 1 Universidade do Vale do Rio dos Sinos Resumo: Este artigo apresenta como a emoção é problematizada por pesquisadores do jorna- lismo que a entendem como parte intrínseca da atividade jornalística e de seus discursos. Apre- sento uma revisão de pesquisas que tomam a emoção como conceito de alto valor epistemológi- co ao estudos da área, dividindo-as em dois eixos: aquelas que a investigam como componente da relação entre público e jornalismo e aquelas que se preocupam em observar a emoção no discurso produzido pelo campo. Defendo que a emoção, enquanto efeito de sentido que circula no espaço discursivo do jornalismo, organiza o enquadramento das reportagens por meio da apresentação de uma avaliação moral. Palavras-chave: Teorias do Jornalismo, Emoção, Discurso, Enquadramento, Avaliação moral. 1. Introdução O estabelecimento das bases do jornalismo moderno em uma lógica positivista conquistou um lugar paradigmático. Em decorrência disso, por muito tempo, colocou-se a informação em oposição à narrativa e o fato em oposição à opinião; ignorando a ques- tão da subjetividade e as discussões sobre emoção, a não ser para taxá-la de estratégia atrelada ao sensacionalismo e à dramatização. Ainda hoje, mesmo dentro dos estudos construtivistas que problematizam a produção das notícias e o papel da subjetividade 1 Doutora em Comunicação e Informação pela UFRGS. Professora do curso de jornalismo da Unisinos. Integra o Núcleo de Pesquisa em Jornalismo (Nupejor/CNPQ).