103 Cadernos Brasileiros de Saúde Mental, ISSN 1984-2147, Florianópolis, v.4 , n.9, p.103-112 , 2012. O SUJEITO-COMPRIMIDO The pill-subjects Kwame Yonatan P. Santos Mestrando de Psicologia Programa de Pós-Graduação da Universidade Estadual de São Paulo – UNESP Campus de Assis Bolsista da Capes/CNPQ kwame7y@hotmail.com Silvio Yasui Professor Assistente Depto. de Psicologia Evolutiva, Social e Escolar UNESP - Assis silvioyasui@gmail.com Gustavo Henrique Dionísio Professor Assistente Depto. de Clínica UNESP-Assis guhendio@yahoo.com.br RESUMO: É possível encapsular em um comprimido os benefícios de tratamento analítico? Suspendendo o sintoma rapidamente? Desde o século XIX a psiquiatria vem oferecendo aos chamados doentes mentais “formas medievais” de tratamento, como é o caso das internações manicomiais, a camisa-de-força, as lobotomias, os tratamentos de choque, etc. O que mudou na metade do século XX, em que se deu a “revolução psicofarmacológica” com o aparecimento da cloropromazina, a primeira droga psicoativa? Hoje com a Reforma Psiquiátrica as intermináveis internações manicomiais estão sendo paulatinamente abandonadas, contudo vemos a ascensão dos medicamentos psicoativos, vistos como protagonistas no tratamento em Saúde Mental. O presente ensaio teórico é um desdobramento de uma pesquisa de mestrado, em andamento, sobre o uso a longo prazo de psicofármacos. Insere-se no campo da Saúde Mental, mais especificamente no debate sobre a medicalização do social no contemporâneo, seus processos de subjetivação da clínica psiquiátrica e as formas de tratamento oferecidas na atualidade aos sujeitos em seu sofrimento-existência. Assim, procura-se problematizar essa clínica psiquiátrica dessubjetivante, que produz sujeitos que podemos chamar de sujeito-comprimido. PALAVRAS-CHAVE: Medicalização. Psicofármacos. Subjetividade ABSTRACT: Is it possible to encapsulate in a pill the benefits of an analytical treatment? Quickly suspending the symptoms? Since the nineteenth century psychiatry has offered to the so called mentally ill "medieval forms" of treatment, as is the case of institutional admissions, the straightjacket, lobotomies, shock treatments, etc. What has changed since the mid-twentieth century advent of chlorpromazine, the first psychoactive drug, and the "psychopharmacological revolution"? Today with the Psychiatric Reform mental institutions admissions are being gradually abandoned, yet we see the rise of psychoactive drugs as