Cadernos Temáticos de Química Nova na Escola N° 7, DEZEMBRO 2007 34 Semiótica na Química ▲ ▲ Recebido em 10/10/06; aceito em 18/10/07 A utilização apropriada de sim- bologias, desenvolvidas ao longo de séculos, constitui uma parte significativa do conheci- mento químico por ser uma ciência que trata da matéria em uma escala submicroscópica ou nanoscópica. A despeito da importância do uso apropriado das simbologias químicas no âmbito da sala de aula de Química, é freqüente a dificuldade por parte de estudantes sobre a compreensão e o uso desses símbolos, o que é apoiado pelo estudo das concepções alternativas de estudantes de Ensino Médio e Superior. No sentido de compreender as re- lações de significação de represen- tações próprias grafadas e faladas que têm lugar na sala de aula de Quí- mica, descrevemos neste trabalho as bases da teoria semiótica de Charles Peirce e sua contribuição para a com- preensão dos processos de significa- ção desse ambiente de ensino. Essa teoria trata explicitamente a relação entre as representações e seus “mo- tores de significação”, o que é impor- tante para a compreensão dos pro- cessos de ensino e aprendizagem Jackson Gois e Marcelo Giordan Neste trabalho, apresentamos uma discussão a respeito dos processos de significação de representações químicas na sala de aula a partir da contribuição da teoria semiótica de Peirce. Também neste trabalho discutimos a contribuição das representações computacionais nos processos de significação na sala de aula de Química. Com esta reflexão, queremos amparar o desenvolvimento de ambientes virtuais de Ensino de Química em base teórica que nos permita conjugar aspectos epistemológicos da Química com os fundamentos da teoria dos signos na direção de problematizar a produção de significados na sala de aula. Semiótica, representação estrutural, significação que ocorrem em atividades de ensino na sala de aula de Química. Temos como objetivo neste texto trazer uma compreensão mais apro- fundada a respeito dos processos de significação de re- presentações quími- cas na sala de aula a partir da contri- buição da teoria se- miótica de Peirce. Também temos co- mo objetivo discutir a contribuição das representações computacionais nos processos de significação na sala de aula de Química. Com esta reflexão, queremos, portanto, amparar o de- senvolvimento de ambientes virtuais de Ensino de Química em base teó- rica que nos permita conjugar aspec- tos epistemológicos da Química com os fundamentos da teoria dos signos na direção de problematizar a produ- ção de significados na sala de aula. Peirce: uma breve biografia Charles Sanders Peirce (1839- 1914) nasceu em Cambridge, Massa- chusetts, e é considerado o mais importante dos fundadores da moder- na teoria geral da semiótica (Nöth, 2005). Seus escritos têm recebido atenção internacional por mais de um século e contribuíram substancialmente pa- ra a base do pensa- mento científico mo- derno (Peirce, 1981). Seu pai, Benjamin Peirce, foi um distinto professor de Mate- mática na Universida- de de Harvard, sendo considerado o mais importante matemático norte-ame- ricano em sua época. Sua família mantinha proximidade dos círculos acadêmicos e científicos, e em sua casa eram recebidos os mais reno- mados artistas e cientistas, de forma que desde criança Peirce já convivia num ambiente de natural inclinação intelectual. Tinha aspirações ao co- nhecimento químico desde os seis anos de idade e aos onze anos escre- veu uma pequena História da Quími- ca. Por influência de seu pai, No sentido de compreender as relações de significação de representações próprias grafadas e faladas que têm lugar na sala de aula de Química, descrevemos as bases da teoria semiótica de Charles Peirce