PROPOSTA DE DELIMITAC ¸ ˜ AO DE ZONAS HOMOCLIM ´ ATICAS NO ESTADO DO PARAN ´ A PARA PLANTIOS FLORESTAIS Fritzsons, Elenice* Mantovani, Luiz Eduardo**”,”Wrege, Marcos*”,”Garrastazu, Marilice Cordeiro*,”,Chaves Neto, Anselmo **”,”Correa, Ana Paula Araujo*** *Embrapa Florestas, Estrada da Ribeira, km 111; CP 319; CEP 83411 - 000; Colombo, Paran´ a. Fone: (041) 55 36755711 elenice@cnpf.embrapa.br **Universidade Federal do Paran´ a ***Acadˆ emica do curso de Biologia do Centro Universit´ ario Campos de Andrade INTRODUC ¸ ˜ AO O Paran´ e um Estado que ocupa uma ´area pr´oxima de 200.000 km 2 , com relevo e clima bastante diferenciados. Se- tenta e cinco por cento do seu territ´ orio situam - se ao sul do Tr´ opico de Capric´ ornio, sendo que mais da metade do ter- rit´ orio est´a acima dos 600m e apenas 3% abaixo dos 300m. O clima predominante no Paran´ e o subtropical, com ver˜oes quentes e invernos frescos. Trˆ es tipos clim´aticos caracter- izam o Estado do Paran´ a: os climas Cfa, Cfb e Cwa da classifica¸c˜ ao de K¨oppen. O Estado apresenta grande diver- sidade em termos de paisagem, sendo a divis˜ao das grandes paisagens est´a baseada nos divisores de ´agua e na posi¸ ao das escarpas, as quais delimitam as bordas dos planaltos, e s˜ ao sucedidas por terrenos que declinam suavemente em dire¸c˜ ao oeste e noroeste (Maack, 1981). O Estado apresenta forte voca¸c˜ ao florestal, tendo sido origi- nariamente coberto por florestas: floresta ombr´ofila mista e floresta ombr´ofila densa. Hoje, a produ¸c˜ ao madeireira con- tinua sendo muito importante para o Paran´ a, pois ela re- sponde por 40% da exporta¸c˜ao nacional de produtos feitos `a base de madeira proveniente de planta¸c˜ oes florestais , gera cerca de 360 mil postos de trabalho na cadeia produtiva e a um d´ eficit anual de aproximadamente 53 mil hectares de florestas para atender a demanda local (SEAB, 2007). Sabe - se que um dos fatores b´ asicos para o ˆ exito dos plantios florestais consiste no uso de esp´ ecies e de procedˆ encias ge- ogr´ aficas adequadas ao ambiente das diferentes regi˜ oes. Di- ante de toda a diversidade edafoclim´atica torna - se um de- safio a escolha de esp´ ecies florestais adaptadas `as diferentes condi¸c˜ oes ecol´ ogicas. Essa ´ e uma situa¸c˜ ao comum a todos os pa´ ıses da America Latina, aonde a silvicultura intensiva se baseia, principalmente, no uso de esp´ ecies ex´oticas (Gol- fari et al., 1978) e, portanto, que evolu´ ıram sob condi¸c˜ oes, muitas vezes, pouco compat´ ıveis com aquelas onde ser˜ ao plantadas. Os zoneamentos edafoclim´aticos s˜ ao instrumentos b´ asicos para o planejamento das atividades florestais, pois al´ em da adequa¸c˜ ao ambiental das esp´ ecies, proporcionam tamb´ em uma forma de orientar e subsidiar a elabora¸ ao de leis visando a implementa¸ ao de pol´ ıticas p´ ublicas para fomen- tar investimentos. O zoneamento clim´atico exige, para sua caracteriza¸ ao, dados de um conjunto de postos meteo- rol´ogicos contendo s´ eries de intervalos de dados clim´aticos suficientemente longos. a diversas metodologias para agrupar zonas semelhantes quanto ao clima, tais como a sobreposi¸c˜ ao de cartas ou PIs (planos de informa¸c˜ ao), pro- gramas computacionais interativos e m´ etodos baseados em an´ alises quantitativas. Estes m´ etodos podem ser sobrepos- tos a fim de compor um zoneamento mais complexo. Este trabalhoprop˜oe uma classifica¸c˜ aoclim´atica para oEs- tado do Paran´ a, constru´ ıda com o aux´ ılio do tratamento estat´ ıstico dos dados clim´aticos obtidos nas esta¸c˜oes me- teorol´ogicas locais mas tamb´ em empregando crit´ erios ge- omorfol´ ogicos (ou fisiogr´aficos), especialmente os de alti- tude, a fim de delimitar melhor as unidades homoclim´aticas no Estado. Na metodologia proposta, utiliza - se inicial- mente an´ alise estat´ ıstica multivariada para separar conjun- tos climaticamente homogˆ eneos, a exemplo dos trabalhos de Falvo et al.,(1996),Trist˜ao et al., (1997), Bernardes (1998), Reis et al., (1999) e Andrade et al., (2000). Mais recente- mente, Keller Filho et al., (2005) utilizaram o m´ etodo de an´ alise de agrupamento para definir ´areas pluviometrica- mente homogˆ eneas no Brasil. Diniz et al., (2003) tamb´ em atrav´ es da an´alise estat´ ıstica multivariada, definiram ´areas homogˆ eneas quanto `as temperaturas m´axima e m´ ınima no Rio Grande do Sul. Fora do Brasil, Unal et al., (2003) pro- puseram uma nova divis˜ao clim´atica na Turquia utilizando a an´alise de agrupamento, baseada na temperatura e pre- cipita¸ ao. Venkatesh e Joe (2007), em trabalho realizado na ´ India, encontraram trˆ es zonas com regimes distintos de precipita¸c˜ ao, utilizando a an´ alise de cluster e an´ alise de Anais do III Congresso Latino Americano de Ecologia, 10 a 13 de Setembro de 2009, S˜ ao Louren¸ co - MG 1