Sintagmas cosmológicos e um perspectivismo ameríndio... 168 Modernos & Contemporâneos, Campinas, v. 5, n. 13., jul./dez., 2021. Revista de Filosofa do IFCH da Universidade Estadual de Campinas, v. 5, n. 13., jul./dez., 2021. Sintagmas cosmológicos e um perspectivismo ameríndio: sobrenatureza e conhecimento entre os Tuxá da Bahia 1 Cosmological syntagms and an amerindian perspectivism: preternature and knowledge among the Tuxá of Bahia Leandro Durazzo 2 leandrodurazzo@gmail.com Resumo: Partindo do perspectivismo ameríndio em Viveiros de Castro, com sua ênfase inicial no aspecto pronominal das relações cosmológicas, estudamos a dimensão que chamamos sintagmática nas relações cosmológicas dos Tuxá do sertão baiano, habitantes da margem do rio São Francisco. Através de uma perspectiva sintagmática tuxá, vemos como determinados sintagmas delimitam maneiras socialmente formalizáveis, senão formulaicas, de enunciar os discursos indígenas com relação à sobrenatureza. Considerando a enunciação como um potente meio hermenêutico e social de relacionamento com a realidade, e também de criação/signifcação desta, tal perspectivismo nos auxilia a compreender relações entre estratos ontológicos que, não sendo necessariamente simetrizáveis, mostram- se em dinâmicas assimétricas com que a fala tuxá é instada a lidar, pragmática e cosmopoliticamente, no tocante a seus mestres encantados e entidades mais-que- humanas. Palavras-chave: Antropologia linguística; Nordeste Indígena; Teoria do Conhecimento Abstract: Departing from Viveiros de Castro’s Amerindian perspectivism, with its initial emphasis on the pronominal aspect of cosmological relations, this text highlights the syntagmatic dimension of Tuxá’s cosmological relations in the São Francisco riverbank. Tuxá’s syntagmatic perspective reveals how certain syntagms delimit socially formalizable, if not formulaic, ways of enunciating Indigenous discourses in relation to the supernatural. Considering enunciation as a powerful 1 O presente trabalho foi realizado com apoio da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior – Brasil (CAPES) – Código de Financiamento 001. Uma versão deste texto foi apresentada no II Congresso Internacional Mundos Indígenas, Campina Grande, 2018, como parte do GT 7 – Histórias Indígenas e Perspectivismos Ameríndios, coordenados pelos professores Dr. Carlos Paz (FCH-UN- CPBA/Argentina) e Dr. Giovani José da Silva (Unifap/Brasil). Agradeço à oportunidade de, na ocasião, poder discutir elementos deste trabalho com o Prof. Dr. José Glebson Vieira (UFRN), então meu orien- tador de doutorado. 2 Doutor em Antropologia Social (UFRN)