SCRIPTA, Belo Horizonte, v. 8, n. 15, p. 205-212, 2º sem. 2004 205 Henriqueta Lisboa: tradução e mediação cultural Resumo N o presente texto, procura-se pensar a atuação de Henriqueta Lis- boa como tradutora, a sua relação de amizade com Gabriela Mis- tral, com vistas a ressaltar o seu papel de mediadora cultural. Por meio da atividade tradutória, em meados do século passado, Henri- queta Lisboa já contribuía para a aproximação das literaturas do Cone Sul e as trocas interculturais. Palavras-chave:Henriqueta Lisboa; Gabriela Mistral; Tradução; Tro- cas interculturais. Henriqueta Lisboa: tradução e mediação cultural * Reinaldo Marques ** R eleituras, reavaliações, redescobertas, novos enfoques. São esses os proce- dimentos a que nos convidam as atividades desenvolvidas por ocasião do centenário de nascimento de Henriqueta Lisboa – exposição, (re)lançamen- to de livros e CDs, eventos acadêmicos, homenagens. Importa ativar, sobretudo, uma memória crítica, capaz de projetar novas luzes sobre a poesia da poeta mi- neira. Capaz de surpreender o apelo da contemporaneidade presente no seu tra- balho intelectual multifacetado: de poeta, de crítica e ensaísta, de tradutora e de professora de literatura. Nesse sentido, gostaria de retomar o trabalho da tradu- ção em Henriqueta, 1 para acentuar sucintamente o seu papel de mediador cultu- ral. Para tanto, de início, visito a biografia de Henriqueta, recorto alguns mo- mentos de sua trajetória intelectual, para aí apreender as possibilidades e limites de sua atuação como mediadora. I Belo Horizonte, setembro de 1943. Poeta já consagrada e morando no Brasil desde 1939, onde representa o governo de seu país, Gabriela Mistral desembarca, * Trabalho apresentado na PUC Minas, por ocasião de homenagem a Henriqueta Lisboa, pela passa- gem de seu centenário de nascimento, em 2001. ** Universidade Federal de Minas Gerais. 1 Veja-se, a propósito, o meu ensaio “Henriqueta Lisboa e o ofício da tradução” (2001).