REVISTA AMAZÔNIDA, 2017, ANO 02, Nº 03, p. 3 – 18 (ISSN: 2527-0141) O (DES)ENVOLVIMENTO EDUCACIONAL – CONTRAPONTOS SOBRE A PROFISSIONALIZAÇÃO DA EDUCAÇÃO Rafael Santos Silva– UFC 1 Karine Pinheiro Souza– UFC 2 Resumo O artigo apresenta uma discussão epistemológica sobre a profissionalização da educação, contrapondo a necessidade de posicionar a ação formadora como instrumento maior que a adestração técnica petrificada na capacitação de operários para o mercado. Com isso, apresentamos mote quantitativo e crítico com base em dados brasileiros primários e secundários referentes aos indicadores de matrícula e orçamentários executados pelo Ministério da Educação- MEC. O objetivo consiste em debater o papel da educação como instrumento do direito social básico. O trabalho discute à luz do processo de (des)envolvimento da educação profissional, o avanço da técnica pela técnica, numa simplificação do processo de industrialização, enquanto corretor educativo, reverberando em um processo de controle de conteúdo das determinações mercadológicas, por meio da capacitação formal e não essencial. Numa abordagem crítica, percebemos que o modelo de gestão se aproxima do modelo de ensino, e nos questionamos como o processo de (des)envolvimento da educação está atrelado ao modelo de industrialização da educação. Palavras-chave: Desenvolvimento, Processos Formativos, Mercantilização da Educação. INTRODUÇÃO A palavra (des)envolvimento representa uma perigosa forma de disseminar pensamento na pós-modernidade. Seja pela sua lógica pragmática liberal, seja pela própria morfologia da palavra. Seu léxico representa exatamente o contrário daquilo que se pretende na justa medida em que informa subliminarmente outras perspectivas de vida opostas à ideia inicial de crescimento, evolução ou avanço. Nesse ritmo, o desenvolvimento se tornou, primeiro na economia, depois em outras áreas (inclusive na educação), argumento mais avançado de legitimação das conquistas que a sociedade supostamente necessitava. Isso nos coloca como questionadores desse processo, sobretudo, quanto à disseminação de práticas educativas desengajadas dos seus contextos sociais tornam-se fruto de um modelo para responder as necessidades do mercado. Com a atual saturação econômica desse modelo, os rumores do desenvolvimento avançam para novas áreas do convívio humano. A natureza e a 1 Professor na Universidade Federal do Ceará (UFC). Graduado e Mestre em Administração. Doutorando em Sociologia pela Universidade de Coimbra. 2 Doutora em Ciências da Educação – Tecnologia Educativa pela Universidade do Minho; Professora Universidade Federal do Ceará – UFC.