La História de la Família en la Península Ibérica (ss. XVI-XIX). Balance y Perspectivas. Homenaje a Peter Laslett UCLM, Albacete, 2003 1 Bases de dados genealógicas e História da Família em Portugal Análises comparativas (do Antigo Regime à Contemporaneidade) 1 1. INTRODUÇÃO As questões metodológicas sempre assumiram um lugar de destaque na Demografia Histórica. O seu nascimento, em meados dos anos 50, apareceu associado a um tipo particular de fontes, os registos paroquiais, e ao desenvolvimento de uma metodologia específica para a sua exploração, o método de reconstituição de famílias de Fleury-Henry, que possibilitava a análise demográfica para períodos anteriores aos recenseamentos modernos. Pelos anos 70, Peter Laslett e o Cambridge Group for the History of Population and Social Structure, apresentam uma outra vertente da demografia, explorando outro tipo de fontes, as listas de habitantes, e desenvolvendo trabalho pioneiro sobre a composição do grupo doméstico. O contributo destas propostas significou uma autêntica revolução no campo da História, à importância dada ao quantitativo, às metodologias de rigor, aliava-se o interesse pelas massas humanas, pelos “esquecidos da História”. Em Portugal, sob a orientação de Virgínia Rau, iniciou-se nos anos 50 um projecto de levantamento da informação paroquial, sem reconstituição de famílias, com o objectivo de encontrar ritmos de evolução da população, de sazonalidade dos eventos, de proporções de ilegítimos, de expostos, de identificação de personagens ilustres, de artífices, mendigos ou escravos, do qual resultou o trabalho pioneiro de Maria de Lurdes Akola Neto (1959). Alguns anos mais tarde, com o estudo da paróquia de Rebordãos no Nordeste transmontano iniciou-se a formulação de uma metodologia de exploração de registos paroquiais adaptada à realidade portuguesa (Amorim,1973). Se as especificidades das fontes portuguesas, particularmente a irregularidade na transmissão dos apelidos, forçaram algumas opções originais, o maior contributo desta metodologia é, claramente, o enfoque no indivíduo. Ao contrário da metodologia francesa que se centrava na história reprodutiva de cada casal, procurou-se inicialmente reconstituir as famílias em 1 Autores: Maria Norberta Amorim(namorim@neps.ics.uminho.pt ), Margarida Durães (margaridad@ics.uminho.pt ), Antero Ferreira (anteroferreira@neps.ics.uminho.pt ); Tel. 253510579 Fax. 253510579