Rev Med (São Paulo). 2020 maio-jun.;99(3):236-41. 236 doi: http://dx.doi.org/10.11606/issn.1679-9836.v99i3p236-241 Aprendizagem baseada em equipe em neurofsiologia: desempenho e percepção de estudantes de medicina Team-based learning in neurophysiology: performance and perception of medical students Anderson Alexsander Rodrigues Teixeira¹, Caio Viana Botelho², Camila Ferreira Roncari³ Teixeira AAR, Botelho CV, Roncari CF. Aprendizagem baseada em equipe em neurofsiologia: desempenho e percepção de estudantes de medicina / Team-based learning in neurophysiology: performance and perception of medical students. Rev Med (São Paulo). 2020 maio-jun.;99(3):236-41. 1. Estudante de medicina, Faculdade de Medicina, Universidade Federal do Ceará, Fortaleza, Ceará, Brasil. ORCID: https://orcid.org/0000-0002-1659- 0768. Email: andersonalexrteixeira@gmail.com. 2. Estudante de medicina, Faculdade de Medicina, Universidade Federal do Ceará, Fortaleza, Ceará, Brasil. ORCID: https://orcid.org/0000-0001-9534- 5340. Email: caiovbotelho@gmail.com. 3. Professora do Departamento de Fisiologia e Farmacologia, Faculdade de Medicina, Universidade Federal do Ceará, Fortaleza, Ceará, Brasil. ORCID: https://orcid.org/0000-0001-7204-8490. Email: camilafroncari@ufc.br. Endereço para correspondência: Anderson Alexsander Rodrigues Teixeira. Rua Marechal Deodoro, 519, Benfca, Fortaleza, Ceará. CEP: 60020-060. RESUMO: Introdução: Muitos estudantes de medicina têm medo das neurociências e isso é descrito na literatura médica como neurofobia. A neurofobia parece estar relacionada principalmente ao pouco conhecimento de conceitos básicos na área. A aprendizagem ativa é uma metodologia de ensino na qual os estudantes estão envolvidos na construção do conhecimento, em oposição à aprendizagem passiva (AP). A aprendizagem baseada em equipe (ABE) é uma metodologia que facilita o processo de aprendizagem. Objetivo: Nosso objetivo foi investigar se a ABE melhoraria o desempenho acadêmico em tópicos de neurofsiologia por estudantes brasileiros de medicina e avaliar a percepção desses sobre essa metodologia de ensino. Métodos: O estudo envolveu estudantes da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Ceará no Brasil. Foram conduzidas atividades de monitoria sobre “Organização do Sistema Nervoso Central” (OSNC) e “Sistema nervoso autônomo” (SNA). Os estudantes tiveram atividades de monitoria sobre um tópico no formato ABE e outro no formato AP. Um questionário foi aplicado para comparar desempenho e avaliar a percepção sobre as metodologias de ensino. Resultados: Os estudantes que tiveram atividade de monitoria sobre OSNC usando ABE tiveram uma pontuação signifcativamente maior (7,5 ± 0,1, vs. AP: 6,2 ± 0,2) em comparação com AP. Para SNA, ABE também promoveu maior pontuação (6,5 ± 0,3, vs. AP: 5,3 ± 0,3). Número signifcativamente maior de estudantes classifcou ABE como excelente ou muito bom e considerou que ABE promove maior interação, melhora o desempenho e incentiva comunicação e discussão. Conclusão: Esses resultados sugerem que ABE é uma metodologia de ensino efciente para auxiliar os estudantes de medicina a construir um conhecimento básico sólido sobre neurociências e possivelmente superar a neurofobia. Descritores: Neurofsiologia; Ensino; Sistema nervoso central; Estudantes de medicina. ABSTRACT: Introduction: Fear of neural sciences was reported by many medical students and this is described in medical literature as neurophobia. This is mainly due to poor knowledge of basic concepts on the feld. Active learning is a teaching method in which students are involved in knowledge construction as opposed to passive learning (PL). Team-based learning (TBL) is a teaching method that facilitates the learning process. Aim: Our aim was to investigate if TBL could improve academic performance in neurophysiology topics by Brazilian medical students and evaluate their perception about this teaching method. Methods: The study involved students from the School of Medicine from the Federal University of Ceará in Brazil. Peer tutoring activities were conducted on “Organization of the central nervous system” (OCNS) and “Autonomic nervous system” (ANS). Students had peer tutoring activity about one topic in TBL format and the other in passive PL format. A test was applied to compare performances and evaluate perception about the teaching methods. Results: Students that had peer tutoring activities of OCNS using TBL had a signifcantly higher score (7.5 ± 0.1, vs. PL: 6.2 ± 0.2) compared to PL. In the ANS, TBL also provided greater score (6.5 ± 0.3, vs. PL: 5.3 ± 0.3). Signifcantly more students rated TBL as excellent or very good and considered that TBL promotes more interaction, increases performance, and encourages communication and discussion. Conclusion: These results suggest that TBL could be a useful teaching method to help medical students build a solid background knowledge on neural science and possibly conquer neurophobia. Keywords: Neurophysiology; Teaching; Central nervous system; Medical students.