31/03/2022 08:55 Rompendo a cumplicidade entre o dispositivo estético e o colonial https://artebrasileiros.com.br/arte/artigo/arte-negra-brasileira/ 1/25 Rompendo a cumplicidade entre o dispositivo estético e o colonial: arte afro- brasileira, arte negra afrodescendente Através da retomada da obra de artistas e escritores de diversas áreas, autor analisa narrativas acerca da história da arte negra afrodescendente brasileira, que envolve uma série de repetições traumáticas ao longo do tempo N Dedico este texto a João Pedro Mattos[1] “A escravidão foi o corpo real da modernidade, sua carne, sua energia, uma tecnologia. Sua herança define, certamente, muito de nossa atualidade, uma efetiva dialética da colonização. […] Mas na minha carne crioula há horrores cravados. E esses horrores, não os posso compartilhar. E, eu sei, horrores não se relativizam.” José Fernando Peixoto de Azevedo, 2018, p. 17, 23. ão existe violência física que não esteja acompanhada de violência simbólica. Estudar a história da arte afro-brasileira implica se emaranhar em continuidades centenárias de histórias de violência simbólica e física. Implica também uma possibilidade de se vislumbrar de modo claro não só a “dialética da colonização”, de que nos fala o dramaturgo e diretor teatral paulista José Fernando Peixoto de Azevedo na epígrafe, mas a própria “dialética do esclarecimento”, que Theodor Adorno "Bahia de Sangue (Luanda)", de Abdias Nascimento, exposta em "Abdias Nascimento: um artista panamefricano", no MASP. Foto: Acervo Ipeafro/ Cortesia MASP