!!"#$ 136 Resenha sobre “Nietzsche et Voltaire” Book review of “Nietzsche et Voltaire” Danilo Bilate * MÉTAYER, Guillaume. Nietzsche et Voltaire: de la liberté de l’esprit et de la civilisation. Paris : Flammarion, 2011, 435p. Não são poucas as tentativas da historiografia filosófica em fazer dialogar dois grandes pensadores, sendo ou não o diálogo forçado e coagido, em caso de ausência de permissão para tanto de qualquer dos autores envolvidos. Especificamente com Nietzsche, além de outros exemplos menores, são já célebres os trabalhos que o fazem dialogar com Schopenhauer e Spinoza, por exemplo. Faltava, entretanto, um trabalho que se predispusesse a relacionar o filósofo alemão com este que seria o símbolo maior das Lumières francesas do século XVIII. Faltava porque é pública e notória a influência decisiva da cultura francesa para o pensamento nietzschiano, sobretudo a cultura dos dezoito e porque, embora não tão notório, o projeto de um “novo Aufklärung” foi algo persistente nos esboços de Nietzsche – e para compreendê-lo, quando o próprio Nietzsche se distanciou radicalmente de Rousseau e da Revolução Francesa, só nos resta Voltaire, justamente aquele a quem foi dedicado o primeiro volume de Humano, demasiado humano. A obra de fôlego de Métayer, até hoje disponível apenas em francês, realiza a contento o esforço elogiável de correlacionar Voltaire e Nietzsche. Logo de início, algo extremamente importante, é lembrado que também Voltaire vivia a Filosofia como uma atividade prática, distante do eruditismo barato (p.15), exatamente como, tantas vezes, Nietzsche propôs que o fizéssemos, especialmente nós, datados no seu futuro, herdeiros de sua esperança de vencer a estéril historiografia erudita – ainda que nós, diga-se tristemente de passagem, permaneçamos históricos, nessa época mais empobrecida * Professor adjunto do Departamento de Filosofia da UFRRJ. Seropédica, RJ, Brasil. Contato: danilobilate@yahoo.com.br