Verso e Reverso, 30(73):70-78, janeiro-abril 2016 2016 Unisinos – doi: 10.4013/ver.2016.30.73.07 ISSN 1806-6925 Resumo. Este artigo analisa o uso de elementos do gênero horror cinematográfico no videoclipe Thriller (1982), de Michael Jackson, como experimentação dentro do campo da música pop. Com base na se- miótica da cultura, fundamentada nos conceitos de texto cultural, semiosfera, fronteira e modelização, trabalhados por Iuri Lotman, a análise identificou inovações no uso do horror como forma de humor e, na música, a modelização das criaturas, transitando entre o horror, o fantástico e a realidade. Palavras-chave: horror, videoclipe, Michael Jackson. Horror cinematográfico e experimentação no videoclipe Thriller, de Michael Jackson Horror movie aspects and experimentation in Michael Jackson’s Thriller music video Herom Vargas Docente do Programa de Pós-Graduação em Comunicação Social da Universidade Metodista de São Paulo. Rua Alfeu Tavares, 149, 09641-000, São Bernardo do Campo, SP, Brasil. heromvargas@terra.com.br Rafael Gonçalves Universidade Municipal de São Caetano do Sul. Rua Santo Antônio, 50, 09521-160, São Caetano do Sul, SP, Brasil. rafagt@hotmail.com Abstract. This article analyzes the use of elements from the horror film genre in the music video Thrill- er (1982), by Michael Jackson, as experimentation within the field of pop music. Based on the semiot- ics of culture, grounded on the concepts of cultural text, semiosphere, border and modeling, developed by Iuri Lotman, the analysis identified innovations in the use of horror as humor and, in the music, modeling of creatures, moving among horror, the fantastic and the reality. Keywords: horror, music video, Michael Jackson. Este é um artigo de acesso aberto, licenciado por Creative Commons Atribuição 4.0 International (CC BY 4.0), sendo per- mitidas reprodução, adaptação e distribuição desde que o autor e a fonte originais sejam creditados. Introdução Michael Jackson é um dos nomes mais co- nhecidos, se não o maior, da música pop e da indústria do entretenimento. O cantor estabe- leceu-se como ídolo pop com o lançamento do álbum Thriller, em 1982, que registrou 104 mi- lhões de cópias vendidas até 2006, segundo o Guinness Book of World Records (2006, p. 187). Importante personagem da cultura da mí- dia, Michael Jackson desempenha papel de destaque no campo da música pop, compreen- dida como “produções que visam claramente estar no centro das atenções das mídias, acei- tando e englobando as características necessá- rias para serem instantaneamente agradáveis e pintarem um belo quadro de si mesmas 1 ” (Shuker, 2002, p. 226). Parte desse sucesso se deve ao uso diferenciado das imagens de hor- ror (fantasmas, mortos-vivos e monstros), nor- malmente desagradáveis e repugnantes, o que afasta o artista da noção sobre a canção pop de sucesso, de fácil consumo e repetitiva. Essa estética peculiar dentro do pop aproximou o trabalho do cantor do horror cinematográfico. Para Carroll (1999), é preciso que um filme provoque horror ou rejeição na plateia com personagens repugnantes para que seja consi- derado pertencente ao gênero. Além disso, são necessárias criaturas que possam ser chamadas 1 Todas as citações em outros idiomas foram traduzidas pelos autores.