XXVI Congresso da Associação Nacional de Pesquisa e Pós-Graduação em Música – B. Horizonte – 2016 A Tradição Orquestral Italiana na Escrita de Antônio Carlos Gomes: a manutenção da melodia MODALIDADE: COMUNICAÇÃO SUBÁREA: MUSICOLOGIA E ESTÉTICA MUSICAL Isaac William Kerr UNICAMP/IA – kerrconductor@gmail.com Lenita Waldige M. Nogueira UNICAMP/IA – lwmn@iar.unicamp.br Marcos da Cunha Lopes Virmond USC/Bauru – mvirmond@ilsl.br Resumo: A capacidade de absorção de Carlos Gomes à tradição musical italiana pode ser explicada pelo sucesso de seu Salvator Rosa (1874) – escrita ao gosto e estilo dos italianos. A trajetória do compositor brasileiro na terra da ópera, com seus êxitos e dissabores, é assunto abundante em suas biografias, porém, ainda reduzido em uma investigação que enfoque sua música. Em recorte à sua escrita orquestral, examinou-se, através de tratados, depoimentos e periódico conceituado para a época, a referida tradição e sua influência em alguns procedimentos composicionais de Gomes. Palavras-chave: Orquestração. Ópera. Antônio Carlos Gomes. Italian orchestral tradition in Antônio Carlos Gomes music writing: the management of the melody Abstract: The ability of absorption of Carlos Gomes from the Italian musical tradition can be explained by the success of his opera Salvator Rosa (1874) – written to the taste and style of the Italians. The trajectory of the Brazilian composer in the land of opera, with his successes and discontents, is abundantly discussed in his biographies, however, still poor in an investigation that focuses on his music. Taking his orchestral writing and using treatises, testimonials and respected periodical, it was examined the orchestral Italian tradition and its influence on some Gomes compositional procedures. Keywords: Orchestration. Opera. Antônio Carlos Gomes. 1. Introdução A música operística italiana, durante considerável tempo, teve sua atenção voltada ao domínio da melodia, permanecendo fechada às novidades orquestrais estrangeiras e retardando a evolução de uma escrita orquestral menos submissa às vozes. Um atraso denominado por Gian Francesco Malipiero como mal di melodramma. 1 Na primeira metade do século XIX, os ensinamentos italianos da composição para orquestra – aí incluindo orquestração, instrumentação e diretrizes de utilização da harmonia e contraponto na distribuição das partes instrumentais – se resumiam em traduções de conceituados tratados do período clássico ou publicações de tratados italianos modernos, mas de conteúdo essencialmente clássico, cuja análise nos revela um organismo orquestral sujeito à principal tarefa de salientar a melodia do canto – apresentando, reforçando, variando ou dialogando com os cantores através das tão conhecidas duplicações – assunto que nos ocuparemos adiante. São tratados que prezam pelo equilíbrio entre os grupos orquestrais sem