MINERALIZAÇÃO HIGH-SULFIDATION SUBMARINA MESOPROTEROZÓICA NO GRUPO SERRA DO ITABERABA, SP: IMPLICAÇÕES METALOGENÉTICAS EM CINTURÕES METAMÓRFICOS Annabel Pérez-Aguilar - Instituto Geológico/SMA, annabelp@igeologico.sp.gov.br Caetano Juliani - Instituto de Geociências/USP, cjuliani@usp.br Lena V. S. Monteiro - Instituto de Geociências/UNICAMP, lena@ige.unicamp.br Jorge S. Bettencourt - Instituto de Geociências/USP, jsbetten@usp.br Edson Barros - Prefeitura de Guarulhos, edsonbarros@guarulhos.sp.gov.br Márcio R. M. de Andrade, mmandrade@prof.ung.ung.br Introdução Nas proximidades da cidade de São Paulo, na porção central do cinturão Ribeira, aflora o Grupo Serra do Itaberaba que constitui uma sequência meta-vulcanossedimentar que foi afetada por dois eventos metamórficos na fácies anfibolito e um terceiro evento retrometamórfico na fácies dos xistos verdes (Juliani et al., 2000). Neste grupo há presença de rochas hiperaluminosas compostas essencialmente por margarita + coríndon ± rutilo. Atualmente são conhecidas quatro ocorrências destas rochas hiperaluminosas, correspondendo às ocorrências Guaravirituba, Pedra Branca, Itaberaba (Lefevre, 1958, Coutinho et al., 1982, Juliani, 1997; Pérez Aguilar et al., 2007) e à recentemente descoberta ocorrência do Cabuçu durante trabalhos associados à criação do Geoparque Ciclo do Ouro no Município de Guarulhos (Decreto N o 25974/2008). As rochas compostas por margarita + coríndon ± rutilo são aqui denominadas de marunditos devido a sua semelhança com aquelas rochas metamórficas primeiro descritas por Hall (1920), presentes no Barberton greenstone belt. Afloram como lentes com espessuras variando entre 2 e 50 m intercaladas entre metabasitos, rochas metavulcanoclásticas e metapelitos, estando associados pequenos corpos de metariolitos. Os marunditos representam metalotectos, uma vez que correspondem ao producto metamórfico de zonas de alteração high-sulfidation submarinhas retrabalhadas, às quais tipicamente estão associados processos mineralizantes em ouro e metais de base. No contexto do grupo Serra do Itaberaba estão geneticamente associados a sistemas paleo- hidrotermais-exalativos de longa duração que foram responsáveis pela geração de extensas zonas de alteração clorítica, cujos produtos metamórficos são rochas com cummingtonita/antofilita, formações ferríferas do tipo Algoma, turmalinitos, metapelitos ricos em sulfeto, mineralizações de ouro e prováveis mineralizações em metais de base. Estes sistemas se desenvolveram ao redor de pequenos corpos de rochas andesíticas a riolíticas durante a instalação de uma bacia de retro-arco (Juliani, 1993, Pérez-Aguilar, 2001, Pérez-Aguilar et al., 2005). Durante o período colonial, na região da Serra do Itaberaba mineralizações de Au supergênicas, presentes em aluviões, coluviões, eluviões e saprólitos, foram intensamente lavaradas (Juliani, 1993). Os registros deixados devido aos trabalhos de mineração resultaram na recente criação do Geoparque Ciclo do Ouro, acima citado. Gênese Com base em evidências geológicas e geoquímicas, a gênese dos protolitos dos margarita- coríndon xistos é interpretada por Juliani et al. (1994) e Martin & Juliani (1994) como sendo o resultado da atuação de diversos processos geológicos em ambiente oceânico. Um primeiro evento magmático–hidrotermal foi responsável pela gênese de zonas de alteração argílica e argílica avançada em cones de alteração devido à interação de rochas ígneas e vulcanoclásticas com fluidos ácidos sulfatados (high-sulfidation). Houve, como conseqüência, uma lixiviação de grande parte dos cátions