DOSSIÊ História oral e militância política: o caso do Movimento das Comunidades Populares Mariana Affonso Penna* Apresentação A história oral é um instrumento metodológico que possibilita inves- tigar lembranças e esquecimentos de cada indivíduo e, também, reunir evi- dências de processos mais amplos e coletivos de construção de um passado comum e compartilhado. No estudo da história de movimentos sociais, essa contribuição permite trazer à tona um pouco da subjetividade de indivíduos que protagonizaram suas ações políticas. Para isso, é essencial entender os sentidos e as motivações que embasam o engajamento daquelas pessoas nas coletividades em que tomaram parte em algum momento. Assumindo a ideia de “cruzamento de subjetividades”, proposta por Alessandro Portelli, é possí- vel identifcar quais elementos são compartilhados e por quem, assim como observar possíveis dissensos, silêncios e omissões (Portelli, 1991, 1996, 1997, 2010). Com isso, é possível compreender as formas diferenciadas de militân- cia, os tipos de engajamento que se desenvolvem e o contínuo reelaborar de suas memórias. Este artigo aborda a experiência específca do Movimento das Comuni- dades Populares (MCP). O trabalho com as fontes orais teve por função aten- tar para alguns dos indivíduos que fzeram a história daquela coletividade. * Professora de História do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul (IFRS). E-mail: mariana.penna@riogrande.ifrs.edu.br; mariana.penna@yahoo.com.br.