24 Braz. J. vet. Res. anim. Sci., São Paulo, v. 45, n. 1, p. 24-31, 2008 Ultra-sonografia dúplex-Doppler na avaliação morfológica e hemodinâmica das artérias aorta e mesentérica cranial em cães 1 - Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, São Paulo – SP 2 - Faculdade de Medicina Veterinária da Universidade de São Paulo, São Paulo – SP Cibele Figueira CARVALHO 1 Maria Cristina CHAMMAS 1 Franklin De Almeida STERMANN 2 Nestor de BARROS 1 Giovanni Guido CERRI 1 Correspondência para: Cibele Figueira Carvalho Travessa Leon Berry, 122 - Cep: 01402-030 - São Paulo-SP cibelefcarvalho@terra.com.br Recebido para publicação: 17/12/2005 Aprovado para publicação: 22/11/2007 Resumo O conhecimento dos sinais normais ao ultra-som Doppler de cada vaso sanguíneo é fundamental na sua identificação. Existem poucos artigos na literatura veterinária que tratam do aspecto normal dos vasos abdominais nos cães. Com o objetivo de verificar a viabilidade técnica da aplicação do US-Doppler na avaliação da aorta abdominal e da artéria mesentérica cranial; vinte cães normais foram submetidos a este exame sem sedação. Foi descrito e avaliado o padrão de mapeamento dúplex-Doppler colorido destes vasos e os resultados comparados com aqueles descritos em literatura. Embora encontradas algumas limitações técnicas, verificamos que o US-Doppler pode ser aplicado com sucesso como meio não invasivo para a detecção de alterações no fluxo sanguíneo mesentérico em cães sem a necessidade de submete-los a contenção química. Palavras-chave: Ultra-sonografia. Doppler. Cão Introdução O ultra-som Doppler (US-Doppler) é um método relativamente novo dentro da ultra-sonografia veterinária em pequenos animais. A ultra-sonografia com dúplex- Doppler colorido fornece informações anatômicas e dinâmicas em tempo real. Durante os exames podem ser determinadas a presença e a direção do fluxo sanguíneo de um vaso e suas características hemodinâmicas. A ultra-sonografia modo-B é ideal para detectar alteração na topografia e arquitetura dos vasos (por exemplo, no caso de fístulas ou “ shunts ”), para medir o diâmetro dos mesmos, para mensurar a espessura e regularidade das paredes vasculares, ou ainda identificar a presença de estruturas anormais perivasculares ou intraluminais (por exemplo, trombos ou tumores). No entanto, sabe-se que um trombo recente pode ser anecogênico como o próprio sangue. 1 A pulsação das artérias também pode ser observada, mas deve-se considerar que a pulsação de uma artéria pode influenciar uma veia adjacente, dependendo de seu calibre e topografia. 1,2 Os vasos sanguíneos abdominais têm uma estrutura tubular de paredes bem definidas em plano longitudinal. As paredes são paralelas hiperecogênicas e têm uma aparência linear fina. Os vasos quando não submetidos à compressão aparecem em plano transversal com aspecto oval ou circular. O lume vascular é anecogênico devido a ausência de eco no seu interior. Quando o fluxo sanguíneo é lento e o diâmetro de um vaso é grande o suficiente, podem-se ver os ecos que se movimentam e correspondem ao fluxo sanguíneo. 1,2,3,4 O conhecimento dos sinais normais ao Ultra-som Doppler de cada vaso sanguíneo é importante na sua identificação, pois o sinal Doppler é específico para cada tipo de vaso bem como varia com sua topografia. Reconhecer as alterações no espectro Doppler somente é possível se o ultra-sonografista conhecer também as variações da normalidade. A melhor imagem ultra-sonográfica da aorta abdominal em sua porção caudal é