DESENHAR OS SINAIS DA POLIS A marca como desígnio político e desígnio histórico Marlene RIBEIRO 1 , Francisco PROVIDÊNCIA 2 1 Faculdade de Arquitectura da Universidade Técnica de Lisboa marlenefribeiro@gmail.com 2 Departamento de Comunicação e Arte da Universidade de Aveiro fprovidencia@ua.pt SUMÁRIO O mundo globalizado em que vivemos actualmente trouxe novas e maiores exigências às cidades e de igual forma, às regiões e nações. Os locais competem por investimento externo, exportações e turismo, através da promoção da sua personalidade individual, cultural, histórica e valores, projectando aquilo que poderá ser uma concepção idealizada mas imediatamente reconhecível de si próprios [Olins03]. A marca cidade representa um factor de afirmação, posicionamento e distinção, essenciais neste mundo globalizado que é o nosso. A tendência de cada vez mais pessoas se fixarem nas cidades, faz com que sejam estas, no panorama actual, a enfrentarem os grandes desafios da actualidade e consequentemente, os seus decisores políticos, que têm hoje, novas e mais exigentes metas de governação, passaram a assumir um papel crucial para a promoção das agendas urbanas, capaz de gerar um perfil de cidade que a torne desejada [Giddens09]. A importância do contributo do Design para a concepção e promoção das marcas cidade (através da sua representação visual) devese ao facto de a sua atitude metodológica, o posicionar como especialista na intermediação cultural entre a administração local e os cidadãos – design político. PALAVRASCHAVE Marca, cidade, identidade, território, ambição, tradição. 1. INTRODUÇÃO Num período em que as cidades competem entre si, o Design assume um papel fundamental no desenho das suas interfaces de comunicação e intermediação cultural entre a administração e a comunidade. Perceber de que forma a marca acompanha e favorece com eficácia, a comunicação estratégica da cidade que representa, pode significar o seu sucesso no panorama global de afirmação nacional e internacional. A maisvalia do Design na liderança do exercício identitário de criação e gestão da marca de uma cidade, consiste no facto desta disciplina ter ferramentas privilegiadas de interpretação e concepção de sinais, capazes de relacionar três eixos fundamentais: 1. Liderança (governação estratégica); 2. Espaço (identidade territorial); 3. Pessoas (comunidade cultural). A competência do Design enquanto intérprete de mensagens e operador de soluções é reforçada pelo seu alto valor comunicativo com todas as partes intervenientes. Assim, deverá conseguir do primeiro, a sensibilidade para investir e construir uma estratégia global de futuro para a cidade; do segundo, a matéria para análise, interpretação e representação; e finalmente, comunicar com o terceiro, no sentido de suscitar reconhecimento, orgulho e o indispensável sentimento de pertença. Em Portugal a grande maioria das cidades adoptaram já uma marca. Interessa pois analisar e esclarecer a situação nacional actual em matéria de estratégia de criação e gestão das suas marcas cidade, para, através da monitorização da realidade e criação de uma taxonomia dos exemplos existentes, traçar um mapa das