ATIVIDADE CIENTÍFICA POR CEGOS CONGÊNITOS: PERCEPÇÃO DE PROFESSORES EM FORMAÇÃO EM CIÊNCIAS DA NATUREZA Estéfano Vizconde Veraszto Universidade Federal de São Carlos, Campus Araras, Departamento de Ciências da Natureza, Matemática e Educação, UFSCar/DCNME, estefanovv@gmail.com Eder Pires de Camargo Universidade Estadual Paulista "Júlio de Mesquita Filho", Faculdade de Engenharia, Departamento de Física e Química, UNESP,Ilha Solteira camargoep@dfq.feis.unesp.br Eixo temático 8: Deficiência visual Categoria: Pôster Resumo: Este trabalho busca analisar concepção de professores em formação da área de ciências da natureza (física, química e biologia) acerca da possibilidade de cegos congênitos exercerem atividades científicas. A pesquisa foi realizada com cinquenta e três graduandos em anos finais de cursos de licenciatura em Ciências Biológicas, Física e Química, em duas universidades públicas; uma federal e outra estadual. Foi aplicado um questionário e as respostas analisadas foram classificadas e categorizadas segundo metodologia qualitativa de Análise de Conteúdo. Para atender os objetivos deste trabalho, as respostas apenas de uma das questões foram avaliadas. Essa questão trata da viabilidade de um cego congênito vir a exercer atividades científicas. A partir dos dados obtidos, foram criadas doze categorias de análise e os resultados indicaram que os graduandos entrevistados julgam possível a realização de atividade científica por indivíduos cegos. As categorias criadas auxiliarão trabalhos futuros de elaboração de um instrumento de pesquisa maior destinado a investigar a percepção de cegos congênitos sobre fenômenos naturais e o processo de conceitualização em ciências. Palavras-chave: Conceitualização em ciências. Cegueira congênita. Formação de professores. 1. INTRODUÇÃO Nos últimos anos tem aumentado a presença de alunos com necessidades educacionais especiais 1 * (NEE) em escolas brasileiras. Segundo dados do censo escolar nacional de 2012, o acréscimo de matrículas de alunos com NEE, dos quais os alunos cegos congênitos fazem parte, na rede regular de ensino, foi de 1313,4% (um mil, trezentos e treze e 4 décimos), passando de 43.923 (quarenta e três mil, novecentos e vinte e três) alunos em 1998 para 620.777 (seiscentos e vinte mil, setecentos e setenta e sete) em 2012 (BRASIL, 2012). Este fato reflete os efeitos de legislações específicas para a educação especial no Brasil e está em consonância com diretrizes educacionais internacionais. Mesmo sabendo que a referida presença não garante a inclusão de fato desses alunos, sem ela intensificam-se relações excludentes (CAMARGO et al, 2009). Dentre vários desafios para a promoção de inclusão, um dos maiores é o de ensinar conceitos e fenômenos naturais e científicos para alunos com deficiência visual. Essa consideração se ampara em estudos realizados na área (CAMARGO, 2010, 2011; CAMARGO & NARDI, 2006, 2007, 2008a; CAMARGO et al, 2009) e também na colocação de Masini (1994) que afirma que o ensino é pautado em padrões adotados para alunos videntes. Postura 1 Alunos com necessidades educacionais especiais são aqueles que podem possuir as seguintes características: alunos com Deficiência (visual, auditiva, intelectual, física ou múltipla), Com transtorno global de desenvolvimento e com altas habilidades ou superdotação (BRASIL, 2008)