369 Ensino, v.22, n3, 2021, p.369-377 Dahiane Inocência Silveira a ; Alvaro Lorencini Junior* b Resumo Este artigo tem como propósito socializar uma prática docente, em uma aula de campo utilizando uma trilha ecológica como recurso didático em uma unidade de conservação no município de Jacarezinho no Estado do Paraná com o intuito de potencializar a percepção ambiental dos alunos. Por meio dos roteiros elaborados pelos alunos do 6º ano foram verifcadas as possíveis relações entre o planejamento de uma trilha interpretativa com os objetivos da Interpretação Ambiental e dos documentos utilizados no referencial à luz da Percepção Ambiental. Nas trilhas interpretativas, a Interpretação Ambiental se torna um instrumento da Educação Ambiental ao visar objetivos que envolvem a sensibilização, a compreensão e a responsabilidade dos visitantes para com as questões ambientais. Os resultados obtidos indicam que os alunos elaboraram uma trilha interpretativa que, inconscientemente, se aproxima dos referenciais da Interpretação Ambiental. Palavras-chave: Interpretação Ambiental. Trilha Interpretiva. Educação Ambiental. Abstract This article aimed to socialize a teaching practice, in a feld class using a trail as a didactic resource in a conservation unit in Jacarezinho in the State of Paraná to enhance the students’ environmental perception. The scripts prepared by the 6th year students the possible relationships were verifed between the planning of an interpretive trail with the objectives of the Environmental Interpretation and the documents used in the reference in the light of Environmental Perception. In the interpretative trails the Environmental Interpretation becomes an instrument of Environmental Education by aiming at objectives that involve the awareness, understanding and responsibility of the visitors to the environmental issues. The results indicate that the students elaborated an interpretative trail that unconsciously approaches the reference points of the Environmental Interpretation. Keywords: Environmental Interpretation. Interpretative Trail. Environmental Education Análise da Percepção Ambiental de Estudantes no Percurso de uma Trilha Ecológica em uma Unidade de Conservação Analysis of the Students’ Environmental Perception on the Route of a Trail in a Conservation Unit DOI: https://doi.org/10.17921/2447-8733.2021v22n3p369-377 a Colégio Estadual Marques dos Reis. PR, Brasil. b Universidade Estadual de Londrina, Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Ensino de Ciências e Educação Matemática. PR, Brasil. *E-mail: alvarojr@uel.br 1 Introdução Quando se põe em debate os impactos ambientais da atualidade se entende que o reforço da temática no ensino se apresenta como uma enorme necessidade e única alternativa nos dias atuais. O momento é de propiciar aos alunos, cada vez com mais ênfase e urgência, uma compreensão crítica e global do ambiente, de modo a elucidar valores e desenvolver atitudes que lhes permitam adotar uma posição mais consciente e participativa no que tange às questões relacionadas à preservação, à adequada utilização dos recursos naturais e repensar atitudes frente aos fatores atuais que potencializam os impactos ambientais. O processo interpretativo, segundo Vasconcellos (2006), é uma forma de aprender fazendo, perguntando, refetindo e respondendo. Sendo assim, é uma importante ferramenta educativa utilizada pela Educação Ambiental (EA) que permite apresentar outras nuances do ambiente ao indivíduo e, consequentemente, torná-lo sensibilizado para com as causas ambientais. Para atingir os objetivos básicos da interpretação ambiental, muitos são os meios que podem ser utilizados, classifcados em meios personalizados, que englobam interação entre o público e o intérprete, e os não-personalizados, que utilizam objetos e outros aparatos de informações visuais (MORALES, 1989). As trilhas autoguiadas são aquelas que podem ser realizadas pelos visitantes sem o acompanhamento de monitores. Para tanto, podem ter pontos de paradas pré-determinados, nos quais juntamente com painéis, guias de campo ou folders, são disponibilizadas as informações (MOREIRA, 2008). As trilhas interpretativas, de todos os tipos, representam o mesmo tipo de desafo para quem planeja e implanta: criar consciência, incorporar apreciação e/ou sugerir uma nova maneira de pensar ou encarar algo (VASCONCELLOS, 1997). As regras e atividades devem ser organizadas de acordo com a idade, nível socioeconômico, características dos visitantes, prevendo-se os meios interpretativos e educativos a serem usados, regulamentados por normas pertinentes (IBAMA, 1999).