LESÃO POR PODODERMATITE EM FRANGOS DE CORTE ALOJADOS EM DIFERENTES DENSIDADES AAS Catalan *1 , E Gopinger 1 , D Perondi 2 , VFB Roll 1 , VS Avila 3 1 Programa de Pós-Graduação em Zootecnia – DZ/ FAEM. Universidade Federal de Pelotas. Campus Universitário, s/no, CEP: 96010-900 Pelotas-RS. e-mail: aianec@yahoo.com.br 2 Faculdade de Ciências Agrária e Veterinária, UNESP- Campus de Jaboticabal. 3 Embrapa Suínos e Aves, BR 153, Km 110, Distrito de Tamanduá, Concórdia-SC. Introdução A criação avícola com uma maior densidade visa o aumento da produção, com o mínimo de investimentos em construções e otimização dos custos fixos. Em consequência, a pressão para redução dos custos na criação de frangos de corte levou ao aumento da densidade das aves que promove maior produção de peso vivo/m 2 (2). Além disso, a piora na qualidade da cama, principalmente pela compactação decorrente de aumento de umidade, determina o aparecimento de lesões na pele, pododermatites, calo de peito e hematomas (4). As pododermatites de contato são lesões erosivas da pele, predominantes na superfície plantar das patas dos frangos de corte. A etiologia apresenta uma inflamação da pele devido a uma combinação de umidade e fatores cáusticos presentes na cama, sendo a excreta das aves, que é composta de ácido úrico, um agente importante na formação do problema (1). As pododermatites em frangos de corte passaram a ter maior relevância nos últimos anos devido à exportação dos pés dos frangos para os mercados da Ásia. Objetivou-se com este trabalho avaliar o efeito do aumento da densidade em aviário convencional sobre a frequência de lesões por pododermatite em frangos de corte. Material e Métodos O experimento foi realizado na Embrapa Suínos e Aves - Concórdia-SC. Previamente ao manejo das aves, todos os boxes receberam a mesma quantidade de cama nova, composta de maravalha seca. Os boxes experimentais apresentavam 2,80 m 2 (1,60 m de largura por 1,75 m de comprimento), em galpão convencional. Foram utilizados 476 pintos da linhagem Cobb 500 ® com um dia de idade, distribuídas em um delineamento experimental inteiramente casualizado, composto por duas densidades (11 e 13 aves/m²) com sete repetições em cada tratamento, perfazendo 14 unidades experimentais. Nos 10 primeiros dias de vida foram utilizados comedouros e bebedouros infantis, posteriormente foram substituídos por comedouros tipo tubular e bebedouros tipo pendular. As aves foram alimentadas com dietas à base de milho, farelo de soja, óleo, suplemento mineral vitamínico e aminoácidos sintéticos, a fim de satisfazer as exigências nutricionais de mantença e de produção da linhagem. sendo que em todas as fases das aves a ração e água foram fornecidas ad libitum. As lesões por pododermatite foram realizadas utilizando-se uma escala de quatro pontos em que: Escore 0: coxim plantar íntegro; Escore 1: menos de 25% do coxim acometido; Escore 2: lesão cobrindo de 26 a 50% do coxim; Escore 3: lesão cobrindo mais de 50% do coxim (3). Para avaliação do efeito da densidade de alojamento sobre a frequência de pododermatite de contato os dados foram analisados pelo teste Qui-Quadrado. Resultados e Discussão Na Tabela 1, são apresentados os resultados da frequência de lesões por pododermatite, onde a frequência observada corresponde aos dados coletados a campo, e a frequência esperada é obtida pela análise estatística. Observa-se que para todos os graus de lesões (1, 2 e 3) na densidade de alojamento de 13 aves/m 2 a frequência observada de lesões é sempre maior do que a frequência teórica esperada (P<0,01). Portanto, aves alojadas em maior densidade apresentaram maior número de lesões nos graus de 1, 2 e 3. Com o aumento na densidade de alojamento, houve maior quantidade de água excretada por m 2 de cama e, consequentemente, maior umidade, aumentando a incidência de lesão por pododermatite. Existe uma relação diretamente proporcional entre a densidade populacional e o percentual de calos de patas, demonstrando que a quantidade de animais por metro quadrado interfere na condição da cama em função do volume de excretas eliminado e, consequentemente, interfere negativamente na saúde e bem-estar dos animais e na condenação de carcaças (5). Tabela 1. Frequência de lesões por Pododermatite em frangos de corte alojados em diferentes densidades. Densidade (aves/m 2 ) Grau de Lesão 0 1 2 3 11 Freq. observada 131,00 65,00 13,00 4,00 Freq. esperada 104,11 91,89 33,31 18,43 13 Freq. observada 65,00 108,00 46,00 27,00 Freq. esperada 91,89 81,10 25,68 12,56 X 2 = 31,60 (grau 1) p<0,0001; X 2 = 37,03 (grau 2) p<0,0001; X 2 = 32,30 (grau 3) p<0,0001. Conclusão O aumento na densidade de alojamento de 11 para 13 aves/m 2 aumenta a incidência por pododermatites em frangos de corte criados em cama nova de maravalha. Bibliografia 1. Hernandes R. et al. Revista Brasileira de Zootecnia 2002; 31(4): 1795-1802. 2. Lana GRQ et al. Revista Brasileira de Zootecnia 2001; 30(4): 1258-1265. 3. Martrenchar A et al. Preventive Veterinary Medicine 2001; 52: 213-226. 4. Mendes AA, Komiyama CM Revista Brasileira de Zootecnia 2011; 40: 352-357. 5. Muniz EC 2006. 25 f. Dissertação (Mestrado) - Universidade Federal de Mato Grosso do Sul. Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia. Campo Grande, MS.