1757 Original Article Biosci. J., Uberlândia, v. 30, n. 6, p. 1757-1767, Nov./Dec. 2014 INTERVALOS ENTRE PODAS DE DUAS VARIEDADES DE MANDIOCA INTERVALS BETWEEN PRUNINGS OF TWO CASSAVA VARIETIES Gabriela Luz Pereira Moreira 1 ; Anselmo Eloy Silveira Viana 2 ; Adriana Dias Cardoso 3 ; Vanderlei da Silva Santos 4 ; Sylvana Naomi Matsumoto 2 ; Andréa Carla Bastos Andrade 5 1. Doutoranda em Agronomia, Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia - UESB, Vitória da Conquista, BA, Brasil, glpmoreira@bol.com.br; 2. Professor Titular, Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia – UESB, Vitória da Conquista, BA, Brasil; 3. Pesquisadora, Doutora em Agronomia, CAPES/PNPD/UESB, Vitória da Conquista, BA, Brasil; 4. Pesquisador, Doutor em Agronomia, Embrapa Mandioca e Fruticultura, Cruz das Almas, BA, Brasil; 5. Mestranda em Agronomia, Universidade Estadual Paulista – UNESP, Jaboticabal, SP, Brasil. RESUMO: Este experimento foi conduzido com o objetivo de avaliar o efeito do intervalo entre podas em duas variedades de mandioca. O ensaio foi instalado na área experimental da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia, Campus de Vitória da Conquista, no período de dezembro de 2008 a julho de 2010, utilizando-se o delineamento em blocos ao acaso, com dez tratamentos e três repetições. Os tratamentos foram arranjados segundo esquema fatorial 2x5, formados pela combinação entre duas variedades de mandioca (Caitité e Sergipe) e cinco intervalos entre podas (dois, quatro, seis e oito meses após o plantio e testemunha - sem poda). A poda da parte aérea foi realizada à altura de 15 cm em relação à superfície do solo. Foram avaliadas as seguintes características: produtividades de parte aérea, raiz e amido; porcentagem de massa seca e de amido e rendimento de farinha. As médias de variedades foram comparadas pelo teste Tukey e, para os intervalos entre podas, foi realizada análise de regressão. Foram utilizados contrastes para a comparação da testemunha com a média dos tratamentos podados. A variedade Caitité apresentou maior produtividade de raízes e maior produtividade de amido, compensando a redução no teor de massa seca de raízes que ocorreu com a poda. A poda influenciou negativamente a maioria das características avaliadas, entretanto, se realizada em intervalos a cada seis a oito meses, permite melhor distribuição da produção de parte aérea, sem promover elevada redução na produtividade de raízes tuberosas. PALAVRAS-CHAVE: Manihot esculenta Crantz. Raiz tuberosa. Amido. INTRODUÇÃO A mandioca (Manihot esculenta Crantz) é originária da América Tropical e compõe a base energética da alimentação de mais de 600 milhões de pessoas no mundo, principalmente nas regiões tropicais em desenvolvimento (IYER et al., 2010). Cultivada em todo território brasileiro, esta tuberosa adapta-se satisfatoriamente a diferentes ecossistemas, possibilitando sua exploração para diversos fins. Tanto as folhas como as raízes são utilizadas na alimentação, sendo as raízes o principal produto, constituindo importante fonte de matéria-prima para a agroindústria. O cultivo desta tuberosa na região Nordeste do Brasil apresenta elevada importância econômica e social, com grande participação na renda familiar de milhares de pequenos e médios agricultores. No entanto, a maior parte é cultivada com pouco uso de tecnologias modernas, sendo destinada principalmente para alimentação humana, na forma in natura ou para a produção de farinha e de polvilho (CARVALHO et al., 2009). Na safra de 2011, essa região destacou-se como a maior produtora de mandioca do Brasil, com 8 milhões de toneladas de raízes frescas e participação de 31% na produção nacional (IBGE, 2013). Embora seja planta rústica e adaptada ao ambiente de cultivo, em quase todo o país, a produtividade da mandioca encontra-se muito abaixo do potencial produtivo da espécie. Essa baixa produtividade pode ser atribuída ao manejo inadequado da cultura, à falta de variedades adaptadas às diferentes condições de cultivo e ao uso de material de plantio de baixa qualidade (CARVALHO et al., 2009; VIANA et al. 2002). Segundo Oliveira et al. (2010), para maximizar a produção de raízes tuberosas é necessário definir práticas de manejo capazes de interferir na relação fonte-dreno de forma que haja maior partição da massa seca e maior transferência dos fotoassimilados produzidos pela planta ao desenvolvimento das raízes. A poda da parte aérea é empregada em diversas hortaliças para manejar o compartimento vegetativo das plantas e aumentar a fração da massa seca alocada aos órgãos de reserva, especialmente em cultivos com excessivo crescimento vegetativo (SANDRI et al., 2002). Em mandioca, esta prática geralmente é feita para produzir material de plantio, para recuperar a parte aérea da planta que foi danificada por eventos climáticos como geada ou problemas fitossanitários, para fornecer ramas para alimentação animal, para facilitar a execução de Received: 26/03/13 Accepted: 15/06/14