76 CONSERVADORISMO E EDUCAÇÃO ESCOLAR: um exemplo de exclusão José Antonio Sepulveda 1 Denize Sepulveda 2 RESUMO Este texto é fruto do trabalho desenvolvido pelo Grupo de Pesquisa e Estudos Conservadorismo e Educação Brasileira da Faculdade de Educação da UFF, que procura entender a retórica argumentativa do pensamento conservador, principalmente o caráter relativamente fixo de seus pressupostos. Esses seguem padrões invariantes de argumentações teóricas. Assim, tal pensamento influencia os discursos, as posições, as práticas conservadoras na sociedade e no interior de muitas instituições escolares. A partir de uma pesquisa de campo realizada em uma escola pública da Rede FAETEC (Fundação de Apoio à Escola Técnica), foi percebido que o pensamento conservador é um dos elementos que orienta o discurso e as práticas machistas e chauvinistas de um professor em relação a uma estudante com orientação homossexual. Partindo das observações, entrevistas e narrativas colhidas na escola, foram identificados os mecanismos de difusão e adesão utilizados pelo conservadorismo político nessa escola. A partir do depoimento de uma estudante e de um professor, entendemos que a aluna sofreu processos de exclusão que se materializaram em práticas homofóbicas que deram e dão legitimidade às desigualdades sociais, reproduzindo o medo através do uso de argumentos que possuem raízes profundas na tradição brasileira. Palavras-chave: Conservadorismo. Exclusão. Práticas homofóbicas. 1 Professor do Programa de Pós-graduação em Educação da UFF. Professor Adjunto da Faculdade de Educação na Universidade Federal Fluminense, Departamento de Fundamentos Pedagógicos. Doutor em Educação pela UFRJ. Líder do Diretório do Grupo de Estudos e Pesquisa: Conservadorismo e Educação Brasileira da UFF. E-mail: jamsepulveda3@hotmail.com 2 Professora Adjunta da Faculdade de Formação de Professores na Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Departamento de Educação. Pós-Doutora em Educação no PROPED/UERJ. Doutora em Educação no PROPED/UERJ. Vice-Líder do Diretório de Pesquisa Diálogos Escolas-Universidade: Processos Formativos, Currículos e Cotidianos da Faculdade de Formação de Professores da UERJ. Coordenadora do Grupo de Pesquisa “Gênero, Sexualidades e Diversidades nos Vários EspaçosTempos Cotidianos” da FFP/UERJ. Vice-Líder do Diretório do Grupo de Estudos e Pesquisa: Conservadorismo e Educação Brasileira da UFF. E-mail: denizesepulveda@hotmail.com