Polímeros: Ciência e Tecnologia, vol. 19, nº 4, p. 297-304, 2009 297 Autor para correspondência: Mônica R. C. Marques, Programa de Pós-graduação em Química, Laboratório de Tecnologia Ambiental, UERJ, Rua São Francisco Xavier 524, CEP: 20550-900, Rio de Janeiro, RJ, Brasil. E-mail: monica@pesquisador.cnpq.br ARTIGOTÉCNICOCIENTÍFICOdiretrizes estabelecidas na legislação ambiental, apresenta um impacto ambiental considerável em função das emissões de gases de efeito estufa. Além da diversidade dos resíduos gerados por esta atividade, a quantidade extremamente elevada é um outro fator que contribui significativamente para a potencialidade de seus impactos. Oliveira (2006) [5] cita que a Petrobras gerou no período de janeiro a julho de 2005, cerca de 20 mil toneladas de resíduos offshore. Dentre estes resíduos, cerca de 20% correspondem a resíduos com potencial energético, que são constituídos de polímeros orgânicos, naturais ou sintéticos, ou de materiais de base orgânica e que poderiam ser reaproveitados transformando-se em insumo energético através da implantação de uma tecnologia mais limpa. Dentre as tecnologias disponíveis e adequadas no mercado, o tratamento térmico por pirólise recebe destaque por reduzir o volume do resíduo em até 90% de seu peso, além de favorecer o reaproveitamento da matéria-prima em vários segmentos industriais [6,7] . O tratamento por pirólise é definido como a degradação de resíduos por aquecimento em atmosfera deficiente de oxigênio, abaixo do nível estequiométrico de combustão [6] . Os processos pirolíticos são endotérmicos, ao contrário do processo de incineração, sendo assim, é necessário o fornecimento de calor ao sistema [7] . Ocorrem em temperaturas na faixa de 150 até 1600 °C [8,9] , por meio de conversão catalítica ou não, dependendo do tipo de resíduo a ser tratado e do equipamento utilizado. Os óleos pirolíticos Introdução A exploração e a produção (E&P) de petróleo e gás em ambiente marítimo são atividades que vêm se desenvolvendo tecnologicamente visando à exploração de reservas em águas profundas e ultra profundas. São consideradas de extrema importância, porque a matriz energética mundial depende, em grande parte, destas reservas. Entretanto, estas atividades são potencialmente causadoras de impactos ambientais, principalmente devido à natureza de seus resíduos que necessitam de tratamento específico para possibilitar a disposição final no meio ambiente de forma segura [1] . Com o desenvolvimento crescente das atividades de E&P, seus impactos ambientais têm sido amplamente discutidos com o objetivo de avaliar sua magnitude, bem como evitá-los ou minimizá-los. Para sua mitigação, faz-se necessária a implantação de tecnologias que possibilitem a disposição final dos resíduos no meio ambiente de forma segura [2] . A Tabela 1 apresenta os principais tipos de resíduos gerados nas unidades marítimas da Petrobras que operam na Bacia de Campos, sua respectiva classificação segundo a NBR 10.004 [3] e a forma usual de destinação final empregada por esta empresa. Observa-se que a incineração é a forma de disposição final mais utilizada para a extinção de resíduos classificados como perigosos (classe I). Entretanto, essa forma de disposição, mesmo que adequada e de acordo com as Pirólise de Resíduos Poliméricos Gerados por Atividades Offshore Mara L. de Oliveira, Lucianna L. Cabral, Marcia C. A. M. Leite, Mônica R. C. Marques Laboratório de Tecnologia Ambiental, Instituto de Química, UERJ Resumo: Resíduos plásticos gerados pelas atividades offshore da indústria de exploração e produção de óleo e gás, após caracterização por ensaio de identificação das classes poliméricas e análise térmica, foram pirolisados em atmosfera inerte a 450 °C. Os óleos pirolíticos foram caracterizados por espectrofotometria de infravermelho por transformada de Fourier (FTIR) e cromatografia em fase gasosa acoplada à espectrometria de massas (CG/EM), indicando a composição de parafinas, olefinas e aromáticos. Palavras-chave: Pirólise, resíduo offshore, caracterização de polímeros. Pyrolysis of Offshore Solid Wastes Abstract: Solid wastes from oil and gas offshore exploration and production activities, after characterization of polymeric classes and thermal identification analysis tests, were pyrolysed under an inert atmosphere at 450 °C. The pyrolysis oil was characterized by Fourier Transform Infrared Spectroscopy (FTIR) gas chromatography mass spectrometry (CG/EM), indicating high generation of paraffin, olefines and aromatics. Keywords: Pyrolysis, waste offshore, polymers characterization.