230 | CERRADOS, Brasília, n. 56, jul. 2021 PARA LER, VER E REVER: RESENHA DE AGUDEZAS SEISCENTISTAS E OUTROS ENSAIOS (EDUSP, 2019), DE JOÃO ADOLFO HANSEN Lavinia Silvares Professora de Literaturas de Língua Inglesa na Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) lavinia.silvares@unifesp.br André Fiorussi Professor de Literaturas Hispânicas na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) fiorussi@gmail.com Professor Emérito da Faculdade de Letras da Universidade de São Paulo, João Adolfo Hansen é reconhecido há tempos como um dos mais destacados pesquisadores brasileiros de literatura. Roger Chartier escreveu recentemente que suas investigações abriram o caminho para se repensar “a invenção da literatura e da história literária no século XVIII, na Europa, e talvez no século XIX, nas Américas”, mostrando como “a universalização dos critérios românticos, expressivos e psicológicos, forjados nos séculos XVIII e XIX, oculta uma descontinuidade fundamental” em relação à representação retórico-poética das letras e artes dos tempos anteriores a esse período 1 . É sobretudo disso que trata o livro Agudezas Seiscentistas e Outros Ensaios, organizado pelas professoras Cilaine Alves Cunha (FFLCH-USP) e Mayra Laudanna (IEB-USP), e publicado pela Edusp em 2019. Imprescindível para os estudiosos das letras e artes anteriores aos projetos românticos, o livro reúne 14 textos de João Adolfo Hansen, cujos títulos ilustram com muito mais brilho do que qualquer fria descrição não apenas a temática que abordam, mas a perspectiva crítico-teórica que propõem mobilizar: “Ler & Ver: Pressupostos da representação colonial”; “Para uma história dos conceitos das letras coloniais luso-brasileiras dos séculos XVI, XVII e XVIII”; “A civilização pela palavra”; “Razão de Estado”;“O discreto”;“Educando príncipes no espelho”;“Agudezas seiscentistas”; “Lugar-comum”; “A doutrina do engenho poético no século XVII”; Ut Pictura Poesis e verossimilhança na doutrina do conceito no século XVII colonial”; “Memória e poesia”; “Apresentação dos epitáfios jocossérios portugueses e castelhanos”; “Categorias epidíticas da ekphrasis”; e “Alguns preceitos da invenção e elocução metafóricas de emblemas e empresas”. Como se vê, os textos reunidos no volume da Edusp versam sobre as letras luso-brasileiras do período colonial em articulação com as principais categorias que as determinam: verossimilhança; decoro; discrição; agudeza; engenho poético; conceito. 1. Cf. Chartier, “A ordem dos discursos e a materialidade dos textos”, in Hidra Vocal: Estudos sobre retórica e poética (em homenagem a João Adolfo Hansen). Cotia: Ateliê, 2020, p. 79.