A Breve Gest˜ ao de Francisco Dornelles. O Ocaso da Hegemonia da FGV-Rio e da USP “Delfinista” no Comando da Pol´ ıtica Econˆ omica Brasileira. Alexandre F. S. Andrada * Resumo This article analyzes the ideas and acts of Francisco Dornelles’ administration at the Finance Minis- try. Although brief, his administration marks an important moment in the history of Brazilian economic thought; the end of the hegemony of the “Delfinista” group from USP and the “monetarists” from FGV- Rio, which dominated economic policing during the Military Dictatorship. Tancredo Neves was inclined to continue the orthodox-like adjustment policies implemented in the last years of the authoritarian regime. This desire of continuity was evident with the choice of Dornelles and Sebasti˜ ao Vital to com- mand the Finance Ministry. Ulysses Guimar˜ aes, on the other hand, was advised by “developmentalist” economists from Unicamp. Jo˜ao Sayad was chosen by the ruling party to be the Minister of Economic Planning. Sayad holds a PhD from Yale, was a critic of “monetarist” policies and enthusiastic about “inertialist” ideas promoted by economists from PUC-Rio. The conflicting coexistence between these different schools of thought was clear during Tancredo’s campaign. After Tancredo’s death in April 1985, Dornelles and Vital lost their political support, becoming an obstacle to the implementations of the chan- ges desired by President Jos´ e Sarney, Ulysses and Sayad. After Dornlles’ resignation, the “monetarist” group was put aside, making room for rise of alternative schools, notably PUC-Rio and Unicamp, which would dominate Brazilian policymaking in the following decades. O artigo apresenta uma an´ alise da hist´oria, das ideias e dos atos da gest˜ao de Francisco Dornelles no Minist´ erio da Fazenda. Ainda que breve, sua gest˜ao marca um importante momento na hist´oria do pensamento econˆ omico brasileiro; o ocaso da hegemonia da ala “delfinista” da FEA-USP e dos “mo- netaristas” da FGV-Rio sobre os rumos da pol´ ıtica econˆ omica nacional. Tancredo estava inclinado a continuar a pol´ ıtica de ajuste do tipo ortodoxo implementada no final do governo Figueiredo. Esse con- tinu´ ısmo se torna patente com a escolha de Dornelles e Sebasti˜ ao Vital para o comando da economia. Ulysses Guimar˜ aes, por sua vez, consultava-se com os economistas “desenvolvimentistas”, especialmente aqueles ligados ` a Universidade de Campinas. Enquanto no Minist´ erio do Planejamento estava Jo˜ao Sayad, ex-professor da FEA, PhD por Yale, cr´ ıtico da pol´ ıtica “monetarista” e entusiasta das ideias inercialistas propalada especialmente pelos economistas da PUC-Rio. A convivˆ encia algo conflituosa entre essas diferentes escolas j´ a aparece na montagem do programa do governo da Alian¸ca Democr´ atica. Com Tancredo morto, Dornelles e Vital ficam isolados no governo. De super-ministro o sobrinho de Tancredo passa a ser um ´ obice ` as mudan¸ cas desejadas por Sarney, Ulysses e Sayad. Com a sa´ ıda de Dornelles , o pensamento “monetarista” cederia espa¸ co para o protagonismo de outras escolas, notada- mente a PUC-Rio e a Unicamp, que dominariam a pol´ ıtica econˆ omica brasileira pelos governos seguintes. Palavras-chave: Francisco Dornelles, Ministro da Fazenda, Delfim Netto, Monetarismo. Keywords: Francisco Dornelles, Economic Policy Finance Ministry, Delfim Netto, Monetarism. Jel Code: N16; N46; B22. ´ Area 3 -Hist´oriaEconˆomica * Professor do Departamento de Economia da Universidade de Bras´ ılia (UnB), afsa@unb.br. Este texto ser´ a publi- cado como cap´ ıtulo de um livro que trata da hist´oria dos Ministros da Fazenda do Brasil Republicano. Uma vers˜ ao anterior foi apresentada no 49o Encontro Nacional de Economia - ANPEC, realizado em 2021.