1 A POBREZA RURAL NA DIMENSÃO SOCIAL: POSSÍVEIS CAMINHOS PARA REPENSAR MOÇAMBIQUE NOS DIAS DE HOJE Tubias Capaina Graduado em Antropologia pela Faculdade de Letras e Ciências Sociais, Universidade Eduardo Mondlane, Moçambique. Pesquisador Independente. Correio eletrónico: capainatubias@gmail.com Resumo Este artigo discute a pobreza, em especial o seu aspecto social, apontado na literatura recente como um défice nas pesquisas que enfocam o tema, dedicadas, em sua expressiva maioria, ao impacto ambiental. Em termos de metodologia, a abordagem configura-se como uma pesquisa qualitativa, exploratória e, em relação aos procedimentos técnicos, caracteriza-se como uma análise bibliográfica que pretende contribuir para o avanço reflexivo da pobreza, expondo essa dimensão social e os principais aspectos nela envolvidas. É preciso estabelecer uma base para determinar as prioridades, restaurar os serviços básicos para providenciar um apoio significativo a pobreza. Na saúde, educação básica, água e saneamentos. Para assim, preservar a moral e as esperanças da população. As considerações de ordem culturais são igualmente importantes quanto as de ordem técnicas. Os líderes comunitários e potenciais candidatos para os serviços comunitários podem igualmente ser identificados no campo. Se realizarmos com cuidadoso escrutínio da concepção dos projetos de desenvolvimento, podemos evitar gastos desnecessários e promover o seu impacto na distribuição de bens e assegurar o fornecimento dos meios de produção indispensáveis, como sementes e os fertilizantes. As pessoas não se separação por meio de espécie, mas pela organização das suas experiências, por suas histórias e pelo modo como classificam as suas necessidades internas e externas, (Damatta, 1987). Vale mais acender uma vela do que maldizer a escuridão. Proverbio chinês. A cultura tradicional pode ser uma forma positiva para o desenvolvimento, a organização social nas comunidades, mesmo que não estejam livre da exploração, elas asseguram que cada um receba uma parte do produto do trabalho, e que ninguém morra de fome, exceto em tempos de desastres como o caso do idai, kened e etc. mas a questão pontual é: como podem estas medidas centradas sobre o aspecto humano, ser alcançadas por todos, tendo em vista os limitados recursos disponíveis? A questão deve estar centrada em como poder reduzir a vulnerabilidade de um pais como Moçambique face as oscilações da balança econômica mundial. Trata-se de equilibrar o auto aproveitamento tradicional, em matéria alimentar, com o desenvolvimento agrícola e as forças econômicas mundiais. Um sistema de vigilância, somente é útil, na medida em que os resultados obtidos são usados para tomar decisões e planificar ações. Cada situação social deve ser entendida como parte integrante de um todo em que qualquer alteração deve-se ter em conta a alteração das funções de todo o contexto econômico e regional, assim a implementação de novos sistemas podem exacerbar os problemas ecológicos, suscitando novos e graves dificuldades logísticos e destruir os sistemas de produção existentes, sem substituir por um viável. Visto que, não se pode obrigar as pessoas para aderirem um estilo de vida, só quando eles sentirem que é vantajoso e funcional, eles próprios por si adaptaram este modo de vida. Com isso, torna necessário capitalizar a capacidade de adaptar os resultados das pesquisas às condições locais. Nenhuma estratégia pode ser considerada adequada sem um esforço significativo para melhorar a sua situação. Alguns projetos de desenvolvimento têm falho por não se prestar atenção para os valores culturais nas comunidades, é preciso avaliar a existência do passado e tirar os ensinamentos devidos e para tal precisamos entender as formas de organização social e os relacionamentos tradicionais, para se cumprir com os laços existentes entre o ecossistema e o modo de vida das pessoas. Para entender as questões essenciais desse conceito serão apresentados os indicadores propostos por Capaina (2017) e Tubias (2022), que envolvem aspectos pertinentes às práticas da pobreza na dimensão social. Palavras-chave: Pobreza Rural e Ajustamentos Econômicos.