GeoTextos, vol. 8, n. 1, jul. 2012. J. Silva, J. Ferraz. 73-96 .73 Jesiel Souza Silva Doutorando em Geografa - Gestão Ambiental e Territorial, Universidade de Brasília (UNB) zielsilva@hotmail.com José Maria Gusman Ferraz Professor do Curso de Mestrado em Agroecologia e Desenvolvimento Rural, Centro de Ciências Agrárias, Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) ferraz@cnpma.embrapa.br Questão fundiária: a terra como necessidade social e econômica para reprodução quilombola Resumo As comunidades quilombolas mantêm, ainda hoje, práticas centenárias trazidas por seus ancestrais do continente africano. Essas práticas, além de culturais, dizem respeito à religiosidade, à política e às formas de produção, envolvendo técnicas agrícolas, formas de manejo do solo, formas de plantio, se constituindo em uma íntima relação dessas comunidades com o ambiente em que estão inseridas, a partir do desenvolvimento de técnicas conservacionistas e utilização racional dos recursos naturais, garantindo desta forma a manutenção da biodiversidade, para utilização das gerações futuras. Suas conquistas passaram automaticamente pelo período de redemocratização do país, no qual o movimento negro e lideranças das comunidades quilombolas intensifcaram a luta por direitos que garantissem a cidadania a essas comunidades. O objetivo deste artigo, parte da dissertação de mestrado de um dos autores sobre o tema 1 , é analisar as conquistas advindas desses movimentos, que garantiram o início de seus direitos quando envolvidos nos processos de elaboração da Constituição de 1988, asseguraram o direito à preservação de sua identidade e cultura, bem como o direito à titulação das terras ocupadas por vários anos por um povo que se contrapôs ao regime escravocrata e constituiu um novo modelo de sociedade e relação social. Palavras-chave: comunidades quilombolas, resistência, regulação fundiária.