453 453 ISSN 0103-4235 ISSN 2179-4448 on line Alim. Nutr., Araraquara v. 23, n. 3, p. 453-459, jul./set. 2012 AVALIAÇÃO DA INDUÇÃO DA RESPOSTA ALERGÊNICA AO AMENDOIM DURANTE O PERÍODO DE DESMAME EM CAMUNDONGOS Andrea PATTI SOBRINHO* Patricia Olaya PASCHOAL** Priscila Santos DA SILVA *** Gerlinde Agate Platais Brazil TEIXEIRA**** * Programa de Pós-Graduação em Patologia – Curso de Mestrado – Universidade Federal Fluminense – UFF – 24210-130 – Niterói – RJ – Brasil. E-mail: andrea.patti@hotmail.com. ** Coordenação do Curso de Biomedicina – Faculdade Anhanguera – 24020-000 – Niterói – RJ – Brasil. *** Curso de Graduação em Biomedicina – Faculdade Anhanguera – 24020-000 – Niterói – RJ – Brasil. **** Departamento de Imunobiologia – Instituto de Biologia – UFF – 24210-130 – Niterói– RJ– Brasil. RESUMO: A penetração do antígeno pela mucosa intes- tinal pode resultar em duas situações distintas a tolerância oral, onde se verica uma redução na resposta imunológica sistêmica, celular e humoral e a alergia alimentar que é ca- racterizada pelo desenvolvimento de uma resposta imune sistêmica para o antígeno em questão. Foi realizado um experimento no qual manipulamos camundongos Balb/c a partir de 14º dia de vida com a introdução da semente de amendoim por via oral por períodos crescentes e diferencia- dos e inoculações subcutâneas com extrato de amendoim. Os resultados pelo método de Elisa evidenciaram que os níveis de anticorpos IgG total mensurados encontra-se com valores inferiores quando comparados ao grupo controle alérgico.Concluímos que a introdução de proteínas aler- gênicas no período de desmame confere tolerância oral a esses animais. Palavras-chave: Tolerância oral; desmame; hipersensibi- lidade alimentar. INTRODUÇÃO As alergias alimentares se manifestam quando indi- víduos suscetíveis ingerem o alimento alergênico. 1,12 Como esta reação, que é dirigida contra o antígeno, leva à produ- ção de altos títulos de anticorpos e de reações celulares, os sintomas clínicos tanto podem se limitar ao local de contato como podem ser sistêmicos. 21 É frequente a manifestação de reações agudas mediadas pela IgE, que podem variar desde uma reação cutânea transitória, até o choque ana- lático (hipersensibilidade tipo I). Quanto às formas não mediadas pela IgE, ocorrem manifestações clínicas locais como a inamação do trato gastrointestinal, com quadros de diarreia, vômitos e má absorção. 9,21 São comuns as reações adversas a componentes ali- mentares entre lactentes e crianças, cuja barreira de muco- sa se defronta com uma grande variedade de substâncias, diariamente. Estas reações adversas podem ter como base fenômenos metabólicos (por exemplo, intolerância a lac- tose por deciência da enzima lactase), farmacológicos (toxinas) ou imunológicos (alérgenos). Neste último caso, usa-se o termo alergia alimentar, que pode representar uma quebra ou falência tanto na indução como na manutenção da tolerância oral. 22 A tolerância oral é considerada como um estado de refratariedade à imunização parenteral de longa duração a um antígeno especíco que foi previamente administrado por via oral. Essa refratariedade envolve a formação de bai- xos níveis de anticorpos séricos, uma reação in vivo discre- ta ou ausente de hipersensibilidade do tipo tardio (DTH) e a baixa proliferação de linfócitos T in vitro. Estudos atuais mostram que a tolerância oral é uma forma de tolerância periférica onde linfócitos maduros se tornam anérgicos ou hiporresponsivos após sua administração oral. 16,23 Estudos realizados pelo nosso grupo mostram que a penetração do antígeno pela mucosa intestinal pode re- sultar em duas situações distintas: a tolerância oral ou a alergia alimentar, a primeira caracterizada como a resposta siológica ao alimento e a segunda pelo desenvolvimento de uma resposta imunológica inamatória sistêmica para o antígeno em questão. 23,24 Reações alérgicas também podem ser mediadas por células T, com manifestações clínicas mais tardias, tor- nando mais difícil correlacionar à ingestão do alimento e o diagnóstico da alergia alimentar. 14 Sabe-se hoje que a siopatologia da alergia alimentar é o resultado de uma complexa rede de interações genéticas e epigenéticas in- uenciadas pelas características do indivíduo e o meio am- biente. O tipo de alimentação, as formas de contato com o mundo microbiológico, a época de administração de alér- genos alimentares e o padrão de permeabilidade da muco- sa intestinal inuenciam a regulação celular e molecular do sistema imunológico levando a diferentes modelos de resposta imunológica ao alimento. Entre as características genéticas, o polimorsmo dos genes associados à resposta