113 Advances in Forestry Science Original Article ISSN: 2357-8181 http://www.periodicoscientificos.ufmt.br/ojs/index.php/afor/article/view/1975 Adv. For. Sci., Cuiabá, v.1, n.4, p.113-119, 2014 Estratificação hipsométrica em classes de sítio e de altura total em plantios clonais de eucaliptos Rodrigo Otávio Veiga de Miranda 1* Hassan Camil David 1 Ângelo Augusto Ebling 1 Rômulo Môra 2 Luan Demarco Fiorentin 1 Izabele Domingues Soares 1 1 Departamento de Engenharia Florestal, Universidade Federal do Paraná, Av. Pref. Lothário Meissner, 632, Jardim Botânico, 80210-170, Curitiba-PR, Brasil. 2 Faculdade de Engenharia Florestal, Universidade Federal de Mato Grosso, Av. Fernando Corrêa da Costa, 2367, Boa Esperança, 78060-900, Cuiabá-MT, Brasil. * Author for correspondence: rov_miranda@yahoo.com.br Received: 29 September 2014 / Accepted: 15 December 2014 / Published: 31 December 2014 Resumo O emprego da relação hipsométrica no processamento de inventários florestais é uma atividade muito comum, na qual deve ser realizada de modo a resultar estimativas precisas e livres de tendências. Uma tentativa de aumentar a precisão das estimativas de altura é adotar variáveis de estratificação. O objetivo foi testar critérios de estratificação da relação hipsométrica para povoamentos clonais de Eucalyptus sp. Os dados foram provenientes de parcelas de inventário florestal contínuo de plantios de híbridos de Eucalyptus grandis W. Hill ex Maiden × Eucalyptus urophylla S. T. Blake, localizados no nordeste do estado da Bahia, com idades variando de 27 a 78 meses, medidas nos anos de 2007 a 2010. As alturas das árvores foram estimadas considerando a base de dados sem estratificação. Ainda, foram obtidas estimativas para essa variável considerando os dados estratificados em classes de sítio e de altura dentro de cada sítio. O modelo hipsométrico de Scolforo foi o mais adequado para estimar a altura total à base de dados sem estratificação e nos diferentes estratos. O ajuste aos dados sem estratificação gerou estimativas precisas e razoavelmente livres de tendência. A estratificação proporcionou estimativas com precisão próximas ao ajuste sem estratificação. Considerando toda a base de dados e em termos de precisão, os melhores resultados são obtidos ao se estratificar adotando classes de altura em cada sítio. Palavras-chave: Estratos; Inventário florestal; Relação hipsométrica. Hypsometric stratification by site and total height classes of Eucalyptus clonal plantations Abstract The employment of hypsometric relation in the forest inventory processing is a very common activity, which must be performed so that results in accurate and unbiased estimations. An attempt to increase the estimate accuracy of height is to adopt variables for stratification. The aim was to test stratification criteria of hypsometric relation in Eucalyptus sp. clonal stands. Database came from plots of continuous forest inventory of Eucalyptus grandis W. Hill ex Maiden × Eucalyptus urophylla S. T. Blake hybrid planting, located in northwest of Bahia state, Brazil, whose ages ranged from 27 to 78 months, measured from year 2007 up to 2010. Tree heights were estimated employing the database without stratification and after, we estimated the heights considering site classes and height within each site as stratification criteria. Scolforo’s hypsometric model was the most appropriate to estimate the total height either without stratification or with stratification of data. The modelling at data without stratification generated accurate and reasonably unbiased estimations, while the stratifications provided accurate estimates close to the fitting without stratification. Considering the whole database and regarding to accuracy issues, the modelling by height classes at each site provides the best results. Key words: Strata; Forest inventory; Hypsometric relation. Introdução Nos levantamentos realizados em povoamentos florestais equiâneos, uma das variáveis de maior interesse é o volume. Essa é a variável de maior importância para o conhecimento do potencial disponível em um povoamento florestal, visto que o volume contribui na avaliação do estoque de madeira e análise do potencial produtivo das florestas (Thomas et al. 2006). Dentre os métodos de se avaliar o volume de árvores, é muito comum o uso de equações volumétricas de dupla entrada, cujo volume é obtido ao se relacionar com o diâmetro à altura do peito (d) e a altura (h) da árvore (total ou comercial), como pode ser visto nos trabalhos de Araújo et al. (2012), Schröder et al. (2013) e Drescher et al. (2014). Na ocasião da coleta de dados para inventários florestais, geralmente são medidos os diâmetros de todas as árvores da parcela e as alturas de algumas dessas. Isso possibilita redução de custo e tempo das medições, visto que alguns problemas podem ocorrer, como falta de visibilidade do topo da árvore em povoamentos densos, bem como a ocorrência de ventos, sobretudo em plantios de eucalipto (Binoti et al. 2013). Para as demais árvores, a altura é obtida por meio de equações hipsométricas (Thiersch et al. 2013). Essa metodologia é bastante empregada em florestas equiâneas e apresenta boa precisão em razão da homogeneidade dos plantios (Curto et al. 2014). Relações hipsométricas são afetadas pela espécie, posição sociológica, idade, tamanho de copa, densidade, sítio e práticas silviculturais (Machado et al. 2008). Desta forma, a inclusão de características do povoamento nos modelos hipsométricos, como idade e índice de sítio, resulta obter estimativas mais precisas e com maior realismo biológico, o que torna a aplicação da equação mais abrangente (Binoti et al. 2013), cujas características do povoamento se restrinjam aos limites de variação das variáveis dependente e independentes dessa equação. A estratificação de uma floresta ou povoamento florestal refere-se à distinção de áreas ou grupos com características semelhantes, incluindo as características dendrométricas, baseada em uma ou mais variáveis e critérios predeterminados (Miranda 2012). Busca-se, com isso, uma redução na variabilidade da variável de interesse dentro de cada um dos estratos. Muitas variáveis podem ser utilizadas como fator estratificador. Todavia, conforme Péllico Netto e Brena (1997), sempre que possível, a base para estratificação deve ser a variável principal a ser estimada no inventário. Variáveis que podem ser empregadas para a estratificação de equações hipsométricas em povoamentos equiâneos são o sítio, diâmetro, densidade de plantio, idade, material