Comportamento isométrico na reconstrução do ligamento cruzado anterior após a confecção dos túneis ósseos femoral e tibial* MÁRCIA UCHOA DE REZENDE 1 , GABRIEL BENTO DE MELLO FILHO 2 , MARCELO SARAGIOTTO 3 , ALEXANDRE E.V. KOKRON 4 , ALCYR ROZANTE SOTTO 5 , GILBERTO LUIS CAMANHO 6 , ARNALDO JOSÉ HERNANDEZ 7 RESUMO Os autores estudam a manutenção da isometricidade definida por fios-guias dos túneis tibial e femoral para reconstrução do ligamento cruzado anterior (LCA) e de- pois perfurados com broca de 10mm, em oito joelhos de cadáver humano. Um fio inelástico é passado pelos orifí- cios do fio-guia e um enxerto de tendão patelar, pelos tú- neis ósseos. É medida a excursão do fio e do enxerto num arco de movimento de 0 a 90 graus, mostrando os resulta- dos que o deslocamento máximo do fio foi, em média, de 2,51 mm (máximo de 5mm), enquanto o do enxerto foi de 3,18 mm em média (máximo de 6mm). Não se verifica diferença estatística entre estes dois grupos no arco de movimento de 0 a 90° de flexão do joelho, enquanto entre 30 e 60° ocorre diferença significativa de deslocamento entre os pontos isométricos e os túneis. Os autores conclu- em que a confecção do túnel não compromete a isometri- cidade determinada pelo guia; que a maior distância en- tre os dois pontos isométricos e os dois túneis ocorre a 0° de flexão do joelho e a menor a 90°; que há diferença de comportamento no arco de 0 a 30° entre os dois grupos; e que a melhor posição para a fixação do enxerto e entre 20 e 30 graus. 6. Trab. realiz. no Inst. de Ortop. e Traumatol. do Hosp. das Clín. da Fac. de Med. da Univ. de São Paulo (IOT-HC-FMUSP). Médica Assist. do Grupo de Joelho do IOT-HC-FMUSP. Médico Resid. 3° ano do IOT-HC-FMUSP. Médico Resid. 2° ano do IOT-HC-FMUSP. Médico Preceptor do IOT-HC-FMUSP. Médico Chefe do Grupo de Joelho do IOT-HC-FMUSP; Doutor em Ortop. e Traumatol. pela FMUSP. Prof. Livre-Docente pela FMUSP. Chefe do Grupo de Membros Inferio- res. Doutor em Ortop. e Traumatol. pela FMUSP Médico Assist. do Grupo de Joelho do IOT-HC-FMUSP. Rev Bras Ortop – Vol. 30. N° 5 - Maio, 1995 SUMMARY Isometrical behavior in the reconstruction of the anterior cruciate ligament after tibial and femoral tunnel perfora- tions The authors study the maintenance of the isometricity de- fined by guide drills in the tibial and femoral isometrical points and then perforated with number 10 drill during the reconstruction of the anterior cruciate ligament (ACL), in eight human cadavers knees. An inelastic suture is passed through the drill holes and a patellar tendon graft through the tunnels. The displacement in the arc of movement of 0 to 90 degrees is measured. Results showed that the maximum displacement of the suture averaged 2.51 mm (maximum of 5 mm), while the maximum displacement of the graft averaged 3.18 mm (maximum of 6 mm). There was no statistical differ- ence among the distance of the femoral and tibial isometric points and the distance of femoral and tibial tunnels between 0 and 90 degrees of knee flexion. Between 30 and 60 de- grees, a significant difference of displacement was found between the isometric points and tunnels. The authors con- clude that the perforation of the tunnel does not compromise the isometricity determined by the guide; that the largest dis- tance between two points and between two tunnels is at 0 degree of knee flexion and the smallest one at 90 degrees; that there is a difference of behavior of the two groups be- tween 0 and 30 degrees and that the best position of graft fixation is between 20 and 30 degrees. INTRODUÇÃO A insuficiência do ligamento cruzado anterior (LCA) teve diversas formas de tratamento nas últimas décadas. O méto- do conservador e a sutura primária mostraram resultados in- satisfatórios a longo prazo (8,19,25) , sendo a reconstrução liga- mentar a melhor opção de tratamento atualmente. 269 1. 2. 3. 4. 5. 7.