O Poder dos Museus junto ao público Luiz Henrique Assis Garcia e Míriam Célia Rodrigues Silva Luiz Henrique Assis Garcia [1] Míriam Célia Rodrigues Silva [2] Visitas em museus voltadas para bebês, curadorias participativas e intervenções extramuros. O que essas práticas têm em comum? Podemos dizer que, dentre outros aspectos, elas são atravessadas pela inversão de lógicas predominantes na sociedade, fundamentadas pelo diálogo com públicos de perfis distintos e marcadas pelo deslocamentode conceitos, posturas e ações institucionais. Paulo Freire (1979) falava de uma educação capaz de transformar a realidade em que o ser humano está inserido, mas essa transformação pressupõe mudanças no sujeito e no próprio processo educativo. As proposições freirianas desconstroem as concepções de um saber unidirecional e abrem caminhos para práticas dialógicas que, no contexto museológico, ganham destaque a partir sistematização de uma museologia social (MOUTINHO, 1993; SILVA,2018). Com trabalhos que abrem as portas para novos conhecimentos e perspectivas, os espaços museais têm contribuído para desconstrução de estereótipos e pensamentos enraizados na sociedade. Neste processo há também potencial para descoberta de novas metodologias e saberes que corroboram para o desenvolvimento da instituição. O Brooklin Museum tem em sua programação uma visita destinada aos bebês. O Programa Baby Friendly (amigável ao bebê) apresenta a coleção do museu de forma interativa, por meio de músicas e do toque em artefatos. As atividades têm como objetivo propiciar a conexão dos bebês com o espaço e com seus acompanhantes. O museu localizado em Nova York realiza trabalhos que abordam a exclusão e o apagamento dos povos indígenas, confrontando o legado do colonialismo. A coleção do Brooklin Museum é constituída por arte americana, africana, egípcia, asiática e europeia (BROOKLIN MUSEUM, 2021). Para Marília Cury (2019) a experimentação é uma estratégia que vem sendo adotada frequentemente na contemporaneidade, sendo relevante para desenvolvimento novas propostas museais. A pesquisadora discorreu sobre o trabalho colaborativo entre o Museu de Arqueologia e Etnologia da Universidade de São Paulo (MAE-USP) e comunidades indígenas. A ação, que foi denominada “Resistência já! Fortalecimento e uniãodasculturas indígenas – Kaingang, Guarani Nhandewa e Terena”, consistiu em açõeseducativas e curatoriais para uma exposição temporária. No trabalho colaborativo osprofissionais do museu apresentavam a instituição e o processo curatorial para os indígenas, enquanto que eles inseriram os profissionais na compreensão de suas culturas (CURY,2019). Cury (2019) destacou a importância do exercício contínuo de aproximação e