7 ESTUDOS Martin Carnoy Amber K. Gove Jeffery H. Marshall Palavras-chave: práticas de ensino; educação matemática; ensino fundamental; educação comparada; Brasil, Chile, Cuba. Resumo Apresenta os resultados de uma análise de práticas de ensino, utilizando dados do Brasil, do Chile e de Cuba. Esses dados incluem fitas de vídeo de 10 a 12 aulas de matemática para a 3ª série de cada país. Cada fita foi analisada mediante um instrumento de observação que enfoca a estrutura da turma, seu nível de engajamento e outros indica- dores de processo. Adicionalmente, foi utilizado um sistema de mensuração do nível de conteúdo, visando entender o conceito da aula, o nível de demanda cognitiva e a interação entre a professora e a turma. Em conjunto, esses dois instrumentos são utilizados para aprofundar a análise das variações na pontuação obtida nos testes por Cuba e pelos demais países latino-americanos. Os resultados revelam diferenças significativas entre as aulas observadas nos três países, tanto em relação às práticas adotadas pelos professores no manejo das classes, quanto no que diz respeito à dificuldade relativa dos conteúdos abordados. As aulas cubanas e as aulas das escolas privadas conveniadas do Chile se destacaram positivamente em comparação com aquelas observadas nas escolas brasileiras e nas escolas públicas chilenas. As razões das diferenças de desempenho acadêmico na América Latina: dados qualitativos do Brasil, Chile e Cuba * Introdução Os testes padronizados de linguagem e matemática aplicados em 13 países latino- americanos em 1999 revelam grandes dife- renças de desempenho acadêmico entre Cuba e os demais participantes (Laborató- rio Latino-Americano, 2000). A análise es- tatística desses resultados, usando a função da produção educacional (Carnoy; Marshall, 2003) e as técnicas de uso de modelos hie- rárquicos lineares (Wilms, Somers, 1999), identificou algumas causas dessa variação, tanto internamente aos países quanto entre eles. Por exemplo, os pais e as mães de fa- mílias cubanas possuem alto nível educaci- onal, necessitando menos do trabalho de seus filhos, e as salas de aula cubanas regis- tram um menor número de perturbações entre os alunos. Mas uma parcela substan- cial da diferença dos pontos obtidos nos testes por Cuba e pelos outros países per- manece sem explicação neste referencial (McEwan, Marshall, no prelo). Uma vez que os dados do Laboratório Latino-Americano trazem um número relativamente pequeno de indicadores de práticas de ensino, esses grandes efeitos “residuais” talvez possam ser atribuídos a processos qualitativos não ob- servados no ensino e no gerenciamento das salas de aula. Este artigo apresenta os resultados de uma análise de práticas de ensino, usando dados do Brasil, do Chile e de Cuba. Esses dados incluem fitas de vídeo de 10 a 12 aulas de matemática para a 3ª série de cada país. Cada fita foi analisada através do uso de um instrumento de observação que enfoca a estrutura da turma, o nível de envolvimento e outros indicadores de pro- cesso. Adicionalmente, foi usado um siste- ma de mensuração do nível de conteúdo, * Os autores gostariam de agradecer à Fundação Ford pelo generoso apoio dado a esta pesquisa. Gostaríamos também de agradecer a Cristian Cox e Mariana Alwyn (ex-Ministra), do Ministério da Educação do Chile; a Ana Luiza Machado, da Unesco de Santiago; a Luis Gomez Gutierrez, Ministro da Educação de Cuba; a Hector Valdes, Victoria Arenciba Sosa, Miguel Angel Ferrer e Paul Torres Fernandez, do Ministério da Educação de Cuba; e a Robert Verhine, da Universidade Federal da Bahia, Brasil. As opiniões aqui expressas são as dos autores, não devendo ser atribuídas à Fundação ou aos Ministérios da Educação dos três países. R. bras. Est. pedag., Brasília, v. 84, n. 206/207/208, p. 7-33, jan./dez. 2003.