259 Estudos em Jornalismo e Mídia - Vol. 17 Nº 2 Julho a Dezembro de 2020 - ISSNe 1984-6924 DOI: http://dx.doi.org/10.5007/1984-6924.2020v17n2p259 Resenha “A construção mediada da realidade”: uma abordagem contemporânea para a sociologia do conhecimento Kérley Winques Doutora e mestre pelo Programa de Pós-Gradu- ação em Jornalismo da Universidade Federal de Santa Catarina (PPG- JOR/UFSC). Professora nos cursos de Jornalismo, Publicidade e Propagan- da e Sistemas para Inter- net da Faculdade Ielusc. E-mail: ker.winques@ gmail.com COULDRY, Nick; HEPP, Andreas. A construção mediada da realidade. Tradu- ção: Luzia Araújo. São Leopoldo: Ed. Unisinos, 2020. No campo da Comunicação e do Jornalismo, construção e realidade são termos imediatamente relacionados à obra A construção social da realidade: tra- tado da sociologia do conhecimento. O estudo, escrito por Peter Ludwig Berger e Tomas Luckmann, é considerado um clássico da sociologia do conhecimento. Lançado em 2017 e traduzido em 2020 para o português, o livro A construção mediada da realidade, desenvolvido por Nick Couldry e Andreas Hepp, inspira um caminho sociológico que visa a compreensão do papel da mídia e das comu- nicações na construção da realidade social na sociedade contemporânea. Além de se situar dentro da sociologia do conhecimento, a obra se envolve com a tradição fenomenológica clássica exemplificada por Berger e Luckmann. De um ponto de vista crítico, Couldry e Hepp enfatizam que a abordagem da fenomenologia material contrasta com a obra de referência. Isso significa a re- ocupação do espaço associado ao livro de Berger e Luckmann, mas sem retra- balhar ou promover novas interpretações. A ideia é formular uma proposição diferente, porém comparável, do modo como a realidade social é construída e se adequa às formas comunicativas da era digital. Os autores apontam que para entender como a sociedade se constitui é im- portante considerar as mídias tanto como infraestruturas tecnológicas quanto processos de criação de sentidos. Por isso, pretendem ir além da fenomenologia clássica, que entende o mundo do ponto de vista de atores sociais situados em re- lações mais amplas de interdependência, levando em conta as infraestruturas ma- teriais mediadas pelas novas mídias. Uma pergunta-chave permeia a obra: “Quais as consequências de o mundo social ser construído a partir das mídias e por meio delas, isto é, a partir de processos e infraestruturas de comunicação mediados por tecnologia?” (COULDRY; HEPP, 2020, p. 275). Para alcançar entendimentos que se adequem a possíveis respostas, a obra, baseada em uma densa análise de estudos teóricos e empíricos, é dividida em três partes que se desdobram em nove capítulos. A primeira, nomeada A construção do mundo social, é composta por três capítulos que analisam as consequências sociais de um universo construído e me- diado pelos meios de comunicação. Esta parte introduz a estrutura conceitual,