Recebido em: 25/03/2018 Aceito em: 11/04/2018 131 Projeto e Percepção do Ambiente v.3, n.1, Abril 2018 COMERCIO Y ESPACIO COLECTIVO EN CALABAR TRADE AND PUBLIC SHARED SPACE IN CALABAR GONÇALVES, THAÍS Arquiteta,especialista em Assistência Técnica em Habitação e Direito à Cidade pela Residência Técnica em Arquitetura, Urbanismo e Engenharia da Universidade Federal da Bahia, especialista em Direito Urbanístico e Ambiental pela PUC Minas, Mestranda em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade Presbiteriana Mackenzie. E-mail: thaisalesg@gmail.com TAHARA, AKEMI Arquiteta, mestre em Arquitetura pelo Dept. de Arquitetura na Universidade de Mie - Japão, especialista em Conforto Ambiental e Sustentabilidade pela Faculdade de Ciências Exatas e Tecnológicas, professora e doutoranda na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal da Bahia. E-mail: akemi.tahara@ufba.br RESUMO EXPANDIDO O Calabar é uma comunidade habitada por aproximadamente 20 mil pessoas, incluindo a favela Alto das Pombas, em mais de 5.300 domicílios (IBGE, 2000), localizada em um vale, entre dois bairros privilegiados de Salvador: Barra e Ondina. Segundo o Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano (2008), é uma Zona Especial de Interesse Social do tipo I (ZEIS I). Embora já tenha sofrido algumas intervenções públicas, a comunidade ainda não dispõe de uma infraestrutura adequada de saneamento ambiental: o abastecimento de água atende a quase toda a comunidade, mas apresenta deficiências: as redes de drenagem de águas pluviais e de esgoto sanitário encontram-se, quando não danificadas, em estado precário de conservação; há pontos de acúmulo de resíduos sólidos e vias sem varrição ou coleta regular (MORAES, 2007). Já sobre os equipamentos público-comunitários, estes existem, mas não atendem em número e qualidade a todos os moradores, a saber: Posto de Saúde da Família; Escola Pública; Praça/Largo; campo de futebol; centro comunitário, biblioteca e ONG. O Calabar, portanto, como diversos assentamentos informais das cidades brasileiras, ainda necessita de intervenções de caráter urbanístico, ambiental, habitacional e de regularização fundiária. Neste trabalho, com base no Trabalho de Conclusão de Curso de Especialização em Assistência Técnica, Habitação e Direito à Cidade da Universidade Federal da Bahia (GONÇALVES, 2015), optou-se por desenvolver um projeto urbanístico que tivesse como fio condutor a busca por espaços públicos de convívio dentro do Calabar, reforçando a importância da melhoria dos espaços públicos coletivos em ocupações informais. 1 Além dos problemas de habitabilidade (salubridade, iluminação, ventilação, problemas estruturais da construção) recorrentes nas moradias de assentamentos informais, a alta densidade de ocupação desordenada gera também problemas ambientais e urbanos, bem como problemas de vizinhança. Assim, além de prestar assistência técnica para questões referentes à habitação, é necessário também tratar os espaços “públicos”, os locais de uso coletivo da comunidade, uma vez que estes são objeto de maior negligência por parte da própria população, que se preocupa em cuidar da porta de suas casas para dentro, ou por parte do poder público, geralmente ausente nesses locais. O Calabar é uma ocupação informal bastante adensada. As atividades de assistência técnica desenvolvidas pelo Consultório de Arquitetura e Engenharia, no âmbito da Residência AU+E/UFBA, permitiram percorrer ruas, vielas e becos a caminho das casas de diversos moradores e perceber que há pouquíssimos, quase insignificantes, espaços ainda livres (não ocupados) na Comunidade. A maioria deles são espaços que restam da ocupação irregular das construções e permanecem ali até que algum “projeto” os defina como área efetivamente pública (espaço público de uso coletivo) ou até que alguém venha e os ocupe com mais uma construção irregular, tornando-o “privado”. COMÉRCIO E ESPAÇO COLETIVO NO CALABAR