REVISTA DE CIÊNCIA ELEMENTAR
1 Revista de Ciência Elementar | doi: 10.24927/rce2018.044 | junho de 2018
CITAÇÃO
Bertolami, O., Gomes, C. (2018)
Stephen Hawking e a sua contribuição
para a física teórica,
Rev. Ciência Elem., V6(02):044.
doi.org/10.24927/rce2018.044
EDITOR
José Ferreira Gomes,
Universidade do Porto
EDITOR CONVIDADO
José Francisco Rodrigues,
Universidade de Lisboa
RECEBIDO EM
07 de maio de 2018
ACEITE EM
30 de maio de 2018
PUBLICADO EM
18 de junho de 2018
COPYRIGHT
© Casa das Ciências 2018.
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Stephen Hawking e
a sua contribuição
para a física teórica
Orfeu Bertolami*, Cláudio Gomes
Departamento de Física e Astronomia/ CFP/ Universidade do Porto
*orfeu.bertolami@fc.up.pt
A 14 de março de 2018, o físico britânico Stephen Hawking faleceu aos 76 anos, deixando
todavia um importante legado para a física teórica, muito particularmente, para o
entendimento das defciências intrínsecas da Relatividade Geral de Einstein, para a física
dos buracos negros e para a cosmologia, a ciência do Universo como um todo.
Stephen Hawking doutorou-se em Física Teórica em 1966 pela Universidade de Cambridge,
sob a supervisão de Dennis Sciama. Apesar da sua condição física progressivamente limi-
tativa, manteve-se extremamente ativo na investigação nas áreas de cosmologia, física dos
buracos negros e gravitação quântica.
Nessa altura, havia uma considerável discussão acerca da realidade e ubiquidade de sin-
gularidades, pontos no espaço-tempo onde a Teoria da Relatividade Geral deixa de fazer sen-
tido e não desaparecendo através de mudança de sistemas de coordenadas que descrevem
o espaço-tempo. Na segunda metade da década de 1960, Hawking e o matemático inglês
Roger Penrose demonstraram que essas singularidades eram inevitáveis no contexto da Teo-
ria da Relatividade Geral (ver, para uma descrição exaustiva, o livro Large Scale Structure
of Space-Time escrito em colaboração com o físico sul-africano George Ellis, publicado em
1973
1
). Uma dessas singularidades corresponde ao início do Universo – Big Bang –, e outras
estão presentes no interior dos buracos negros, não acessíveis à observação devido à pre-
sença de um horizonte de acontecimentos que, segundo a Conjetura da Censura Cósmica de
Roger Penrose, protegem sempre as singularidades de se apresentarem “nuas”.
Subsequentemente, em 1975 ele desenvolveu a ideia que os buracos negros deveriam ra-
diar termicamente a uma temperatura específca, inversamente proporcional às suas mas-
sas, temperatura esta que hoje designamos por temperatura de Hawking. Esta ideia dá ori-
gem ao paradoxo da informação, em que a informação que entrava no horizonte de evento se
perdia. Com este contributo passou-se a ter uma equivalência entre a dinâmica e a termodi-
nâmica de buracos negros
2,3
.