Contos para Caio F. O que resta das coisas, organizado por Ricardo Barberena Marina Ruivo* Muitas são as portas de entrada para o trabalho com o ar- quivo de um escritor ou de uma escritora. E tantas, que podemos sem difculdade nos perder diante da fartura de material acumulada ao longo de uma vida. Um ponto que logo se percebe, porém, é que é preciso sair da esfera mais tradicionalmente frequentada pelos estudos literários e abrir-se para o diálogo com outras áreas do conhecimento e mesmo com outras artes, muitas vezes também presentes em tais arquivos. E então, avançando entre riscos e com um ponto de chegada que se metamorfoseia a cada passo, o pesquisador ou a pesquisadora inicia seu caminho e, quase sempre, é acometido pelo que Reinaldo Marques, pesquisador do Acervo de Escritores Mineiros da Uni- versidade Federal de Minas Gerais (UFMG), chama de “compulsão arquivística”, debruçando-se de forma quase obsessiva sobre a varie- dade de materiais encontrada, seduzido pelos “prazeres do arquivo” (2003, 155), tão múltiplos e infndos. De imediato, ao adentrar, nosso interesse é despertado para os itens que dialogam mais de perto com a literatura e, deles, o primeiro a nos atrair geralmente são seus originais. Além deles, queremos localizar suas correspondências, as cartas que trocou com * Professora adjunta do Departamento de Educação da Universidade Federal de Rondônia (UNIR). Fórum Lit. Bras. Contemporânea, Rio de Janeiro, v. 11, nº 21, pp. 241-58, jan.-jun. 2019. DOI: https://doi.org/10.35520/flbc.2019.v11n21a26529 ISSN:1984-7556