76 SÆCULUM – Revista de História [v. 25, n. 43]. João Pessoa, p. 76-92, jul./dez. 2020, ISSNe 2317-6725 DOI 10.22478/ufpb.2317-6725.2020v27n43.54571 As instituições de reclusão e “controle” dos loucos na Parahyba do Norte entre 1889 e 1928 Institutions of seclusion and “control” of the insane in Parahyba do Norte between 1889 and 1928 Edna Maria Nóbrega Araújo https://orcid.org/0000-0003-2904-9695 Universidade Estadual da Paraíba – Campus de Guarabira Joedna Reis de Meneses https://orcid.org/0000-0003-0385-9382 Universidade Estadual da Paraíba – Campus de Guarabira Resumo: No final do século XIX e primeiras décadas do século XX a cidade da Parahyba do Norte, influenciada pelas ideias de modernidade e civilização, vivenciou uma série de reformas no espaço físico bem como diversas transformações nos costumes, hábitos e cotidiano de sua população. Essas reformas buscaram “retirar” e “excluir” das áreas centrais da cidade aqueles que eram tidos como responsáveis por promover a “desordem”. Tratava-se de destruir desde edificações fora do chamado alinhamento e/ou excluir e, se possível, silenciar historicamente, os pobres, menores abandonados, mendigos e loucos que perambulavam pelas ruas. Neste artigo, se pretende estudar, especificamente, as tentativas de exclusão dos indivíduos considerados loucos das ruas da cidade da Parahyba do Norte, bem como a psicopolítica da exclusão. Para tanto, foram pesquisadas fontes como os Relatórios dos Presidentes de Estado/Província, Relatório da Santa Casa de Misericórdia e Jornais da época. Buscou-se historicizar as tentativas de controle dos ditos “furiosos” na Cadeia Pública, na Santa Casa da Misericórdia, posteriormente, no asilo Sant’Anna e, por fim, no hospital Colônia Juliano Moreira, quando os médicos psiquiatras puderam exercer um saber/poder nas instituições, pautados nos discursos científicos, que enclausurava, vigiava e silenciava os rotulados com a marca da loucura. Palavras-chave: Loucura. Institucionalização. Enclausuramento. Cidade. Abstract: At the end of the 19th century and the first decades of the 20th century, the city of Parahyba do Norte, influenced by the ideas of modernity and civilization, experienced a series of reforms in the physical space as well as several transformations in the customs, habits and daily lives of its population. These reforms sought to “remove” and “exclude” from the central areas of the city those who were held responsible for promoting “disorder.” It was about destroying buildings outside the so-called alignment and / or excluding and, if possible, silencing historically, the poor, abandoned minors, beggars and madmen who roamed the streets. In this article, we intend to study, specifically, the attempts to exclude individuals considered crazy from the streets of the city of Parahyba do Norte as well as the psychopolitics of exclusion. Sources such as the Reports of the Presidents of State / Province, the Santa Casa de Misericórdia Report, and the newspapers of the time were searched for, trying to historicize the attempts to control the so-called “furious” in the Public Jail, at Santa Casa da Misericórdia, later Sant’Anna asylum and, finally, at the Colônia Juliano Moreira hospital, when psychiatric doctors can exercise knowledge / power in institutions based on scientific discourses. ficos, who cloistered, watched and silenced those labeled with the mark of madness. Keywords: Madness. Institutionalization. Enclosure. City. O tema aqui proposto tem o intuito de analisar os discursos sobre o louco na cidade da Parahyba do Norte entre 1889 e 1928, demarcando historicamente os momentos em que a Esta obra está licenciada sob uma Creative Commons – Atribuição 4.0 Internacional