SIGraDi 2016, XX Congress of the Iberoamerican Society of Digital Graphics 9-11, November, 2016 - Buenos Aires, Argentina 34 Entendendo o Design Digital: o designer nos processos digitais de projeto Understanding the Digital Design: the designer in digital design processes Rodrigo Makert Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, Brasil rodrigomakert@hotmail.com Gilfranco Alves Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, Brasil gilfranco.alves@ufms.br Abstract This paper presents a specific aspect of a post-graduate research entitled "Between Design and Designer: Considerations on digital design" and investigates the designer in the digital design processes. It is believed that the unique and subjective nature of the designers are key part of the result and the own choice of architectural design method. Currently, digital technology has enabled new design methods, casting a revaluation of theories related to design. Considering the complexity of contemporary designs it is necessary to open the black box of design and show the context in which the design acts or should act. Keywords: Processos digitais de projeto; Metadesign; Design paramétrico; Designer; Prototipagem. Introdução O presente artigo pretende apresentar aspectos de como a figura do designer atua e influencia o processo digital de projeto e, por conseguinte, seu resultado. Entendemos o processo de projeto como o conjunto de estratégias e atividades relacionadas à elaboração e confecção de projetos de arquitetura ou design. Atualmente, a contribuição da mediação digital tem ampla importância para o ato de projetar contemporâneo. A pesquisa parte do pressuposto que o cenário atual é complexo e dinâmico e que, neste contexto, se faz necessária a compreensão tanto do processo quanto do papel do projetista dentro deste cenário. O artigo parte da produção de uma pesquisa de pós- graduação realizada no Programa de Especialização Abordagem Contemporânea na Arquitetura e na Cidade do Curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul - UFMS, sob orientação do professor doutor Gilfranco Alves, coordenador do grupo de pesquisas algo+ritmo (www.facebook.com/AlgoRitmo.ufms) e é dividido em três partes: 1. Processos de projeto em arquitetura: breve contextualização histórica, 2. Metadesign: o projeto do processo de projeto e 3. O designer e o processo de projeto. Portanto, o artigo expõe, em um primeiro momento, uma breve evolução histórica dos métodos de produção em arquitetura. Para entendimento da atuação do designer, acredita-se ser necessário entender os caminhos ao qual o raciocínio projetual pode percorrer, para tal este artigo aborda o conceito do "projeto do processo de projeto" por meio do Metadesign e suas implicações. Por fim, após apontamentos da atuação do designer no processo de projeto, um experimento almeja auxiliar na elucidação da influência do mesmo, assinalando as habilidades e estratégias que o projetista necessita dominar para atuar em um mundo digital. Processos de Projeto em Arquitetura: Breve Contextualização Histórica A Bruneleschi credita-se a redescoberta dos princípios da perspectiva científica e, assim, entende-se que sua iniciativa permitiu que a arquitetura se tornasse uma atividade prescritiva, ou seja, com a possibilidade de prever com maior precisão como seria o edifício quando executado. Já a Alberti, atribui-se a invenção do sistema de notação de projeto em arquitetura utilizando projeções ortogonais em desenhos em escala e, deste modo, passa-se a definir o edifício como o principal "produto do processo de projeto" do arquiteto. Na mesma direção, o surgimento da imprensa de Gutenberg e também da gravura, foram outros fatores fundamentais para a alteração da profissão do arquiteto. Estas tecnologias permitiram a difusão dos tratados arquitetônicos e a criação de uma teoria da arquitetura (Celani, 2011). De acordo com Carpo (2011), Alberti teria se inspirado na lógica da imprensa para conferir status ao arquiteto por meio da autoria do projeto, porém, para que o arquiteto fosse reconhecido como autor do projeto, a construção teria que ser idêntica ao seu desenho. No entanto, o edifício produzido artesanalmente na época jamais seria, a rigor, uma cópia idêntica ao projeto. Isso provavelmente só viria a ser possível muito recentemente, com a fabricação digital e com o conceito contemporâneo do "file to factory", ou seja, do arquivo digital sendo enviado diretamente à fabricação automatizada, sem uma intermediação dos desenhos em projeções ortogonais e sem a necessidade de interpretação desses modelos (Celani, 2011). Para Estevez (2003), a evolução da linguagem da arquitetura ao longo do tempo corresponde a uma evolução não só dos