MEMÓRIAS DE VIAJANTES: PAISAGENS E LUGARES DE UM NOVO MUNDO WERTHER HOLZER* Universidade Federal Fluminense Qualquer trabalho que se refira à espacialidade humana deve referir-se à memória. Como diz Lowenthal: O passado nos rodeia e nos satura; toda cena, todo enunciado, toda ação conser- va conteúdo residual dos tempos passados. ... Séculos de tradição suportam cada instante de percepção e de criação, permeiam não somente os artefatos e a cultu- ra mas as células de nossos corpos. (LOWENTHAL, 1985, grifo meu). Se considerarmos que os indivíduos e as culturas apropriam-se dos espaços natu- rais, constituindo-os em artefatos a partir de suas intenções e de suas ações, a memó- ria e a transmissão parcial das experiências prévias torna-se fundamental para a com- preensão dessas ações. A preocupação deste trabalho é de como a memória contribui para a constituição de categorias espaciais. Como aparece intermediando o espaço objetivo, que se dá aos sentidos, e o espaço subjetivo, que é produzido e processado a partir das experiências imediatas e das experiências prévias. * Arquiteto e Urbanista, Doutor em Geografia Humana, Professor da Graduação em Arquitetura da Universidade Federal Fluminense. Este Artigo, em outra versão, foi apresentado no II Encontro Interdisciplinar sobre o Estudo da Paisagem, realizado em Bauru - SP, em 1996, e resume alguns dos temas de Tese defendida na USP em 1998. 111