111 HU Revista, Juiz de Fora, v. 37, n. 1, p. 111-119, jan./mar. 2011 Avaliação da exposição aos fatores de risco associados ao câncer de boca nos alunos do curso de Odontologia da UEPB Belisse Brandão da Cunha * Gustavo Pina Godoy * Shênia Cavalcante de Andrade * Alexandre Aires Braga de Lira * Daliana Queiroga de Castro Gomes * Jozinete Vieira Pereira * Resumo Este estudo foi do tipo exploratório descritivo transversal e avaliou o nível de exposição dos alunos do curso de Odontologia da UEPB em relação aos fatores de risco do câncer de boca. Foi utilizada uma amostra de 242 alunos do referido curso, que responderam às perguntas propostas em um questionário. Os dados obtidos demonstraram que dos 242 alunos participantes, 129 (53,30%) eram do gênero feminino e 113 (46,70%) do masculino; a faixa etária de 21 a 30 anos de idade foi a mais prevalente, com 175 alunos (72,31%); e a cor branca da pele foi a mais citada pelos participantes (73,50%). Dentre os fatores de risco, observou-se que cerca de 24% da amostra se expõe à radiação ultravioleta e 23,56% declararam se proteger da exposição referida. O tabagismo foi um hábito pouco frequente entre os alunos (4,96%), sendo mais frequente no gênero masculino. O tempo de hábito do tabagismo citado pelos alunos foi de até cinco anos, e o consumo diário ficou em torno de dez cigarros. O consumo de bebida alcoólica foi relatado por 146 alunos (60,33%), destacando-se a cerveja como a mais consumida (82,19%). Identificou-se uma porcentagem baixa (2,89%) de histórico de câncer de boca entre os familiares dos alunos. Concluiu-se, então, que a maioria dos alunos do Curso de Odontologia da UEPB encontra-se pouco propensa a desenvolver câncer de boca, contudo, existe a necessidade de im- plementação de medidas preventivas e educativas, uma vez que esses alunos serão os futuros profissionais responsáveis pela divulgação desse conhecimento entre a população. Palavras-chave: Fatores de risco. Carcinoma de células escamosas. Neoplasias bucais. * Universidade Estadual da Paraíba, Departamento de Odontologia - Campina Grande, PB. E-mail: bely_brandao@hotmail.com 1 Introdução As neoplasias malignas estão entre as princi- pais causas de morte em todo o mundo, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS). No que tange ao câncer de boca, observou-se um aumento da taxa de mortalidade, de 1979 a 1998, de 1,32 a 1,82 por 100.000 habitantes, sendo este aumento principalmente observado no gênero masculino, onde a taxa de mortalidade passou de 2,16 em 1979 para 2,96 por 100.000 homens em 1998. O câncer de boca é um problema de saúde públi- ca no Brasil, não somente em virtude das altas taxas de incidência e prevalência, mas principalmente devido aos baixos índices de sobrevida, apesar dos avanços na terapêutica oncológica (MELO; ROSA, 2009). Segundo Wünsch-Filho (2002), o Brasil tem a maior incidência de câncer de boca na América Latina, com grandes variações entre regiões geo- gráficas do país. Essa variação, possivelmente é devido à influência dos fatores de risco aos quais estão expostos os indivíduos de uma determinada população do país (ANTUNES et al., 2003). Segundo a OMS, 40% dos cânceres de forma geral podem ser prevenidos, principalmente pelo combate ao tabagismo, adoção de uma dieta sau- dável, pela prática de atividades físicas e pela pre- venção de infecções de risco, como por exemplo, a infecção pelo papiloma vírus humano (HPV) no câncer de colo uterino. Um fator positivo é que o câncer é uma doença com grande possibilidade de prevenção e quanto mais precoce sua detecção, maior a probabilidade de cura (DUNCAN et al., 2004).