Autor para correspondência: Alyne Kalyane Câmara de Oliveira, Laboratório de Saúde Mental, Departamento de Terapia Ocupacional, Universidade Federal de São Carlos, Rod. Washington Luís, km. 235, CEP: 13565-905, São Carlos, SP, Brasil, e-mail: alynekoliveira@hotmail.com Recebido em 2/5/2012; 1ª Revisão em 17/9/2012; 2ª Revisão em 2/10/2012; Aceito em: 4/11/2012. ISSN 0104-4931 Cad. Ter. Ocup. UFSCar, São Carlos, v. 21, n. 3, p. 493-503, 2013 http://dx.doi.org/10.4322/cto.2013.051 Resumo: O estudo objetivou descrever níveis de estresse e apoio social percebido de cuidadores de crianças com paralisia cerebral (PC), assim como investigar relações entre estresse e apoio social e variáveis relativas aos cuidadores, ao ambiente e às crianças, a saber: número de flhos, escolaridade do cuidador, renda familiar, temperamento e nível motor da criança. Participaram 50 crianças com PC com idade entre 3 e 7,5 anos, os respectivos 50 cuidadores e 25 profssionais da reabilitação, que tratam as crianças em instituições de saúde do interior de São Paulo. Os instrumentos de medida utilizados foram o Sistema de Classifcação da Função Motora Grossa para Paralisia Cerebral, o Inventário de Sintomas de Stress para Adultos de Lipp, o Questionário de Suporte Social e uma fcha de identifcação dos participantes. Os dados foram analisados por meio de estatística descritiva e inferencial, com os testes Qui-quadrado, Exato de Fisher, Mann-Whitney, Kruskal-Wallis e Odds-Ratio. Os resultados apontaram estresse entre os cuidadores participantes (66%), com predominância da fase de resistência (93,9%) e sintomas psicológicos (69,7%), baixo apoio social percebido pelos cuidadores, concomitante a uma adequada satisfação com o apoio recebido, assim como relações signifcativas entre o apoio social versus estresse (p = 0,017) e escolaridade versus apoio social (p = 0,037). Os dados permitem a análise das relações entre as variáveis investigadas e acerca do impacto de se ter uma criança com PC na família sobre o bem-estar físico, emocional e psicológico dos cuidadores, além de oferecer subsídios para a elaboração de estratégias em diferentes níveis de atenção às famílias de crianças com defciência. Palavras-chave: Cuidadores, Apoio Social, Estresse Psicológico, Paralisia Cerebral, Terapia Ocupacional. Stress and social support in caregivers of children with cerebral palsy Abstract: In this study, we aimed to describe the levels of stress and perceived social support for caregivers of children with cerebral palsy (CP), as well as investigate the relationship between stress, social support, and variables related to caregivers, the environment and children, namely: the number of children, education level of caregivers, family income, behavior, and the child’s motor level. This study comprised 50 children with CP between 3 and 7.5 years old, their 50 caregivers, and 25 rehabilitation professionals who care for children in health institutions from the countryside of São Paulo state, Brazil. The following measuring instruments were used: the Gross Motor Function Classifcation System for Cerebral Palsy, the Lipp’s Inventory of Stress Symptoms in Adults, the Social Support Questionnaire, and a form identifying the participants. Data were analyzed using descriptive and inferential statistics by the following tests: Chi-square, Fisher exact, Mann-Whitney, Kruskal-Wallis, and Odds Ratio. The results showed stress among the participating caregivers (66%), with predominance of the resistance phase (93.9%) and psychological symptoms (69.7%), low perceived social support for caregivers, concomitant with an adequate satisfaction with the support received, as well as signifcant relationships of stress versus social support (p = 0.017) and education level versus social support (p = 0.037). The data allow analysis of the relationship between the variables Estresse e apoio social em cuidadores de crianças com paralisia cerebral 1 Alyne Kalyane Câmara de Oliveira a , Telma Simões Matsukura b a Doutoranda do Programa de Pós-graduação em Educação Especial, Mestre, Programa de Pós-graduação em Terapia Ocupacional, Universidade Federal de São Carlos – UFSCar, São Carlos, SP, Brasil b Professora Associada do Departamento de Terapia Ocupacional e dos Programas de Pós-graduação em Terapia Ocupacional e Educação Especial, Universidade Federal de São Carlos – UFSCar, São Carlos, SP, Brasil Artigo Original