VIOLÊNCIA E SUBRALTERNIDADE DOIS CAMINHOS QUE SE CRUZAM NA HISTÓRIA DA MULHER AFRO-BRASILEIRA: UMA POSSÍVEL LEITURA DO CONTO MARIA, DE CONCEIÇÃO EVARISTO Celiomar Porfírio Ramos (UNEMAT) 1 Rosineia da Silva Ferreira (UNB) 2 Resumo: Este trabalho tem como objetivo realizar algumas considerações acerca da subalternidade da mulher negra brasileira, tendo como base o conto Maria do livro Olhos D’água (2016), da escritora mineira Conceição Evaristo. As reflexões propostas a partir do conto supracitado são estruturadas sob a hipótese de que a literatura produzida por essa escritora é tomada como arma a fim de denunciar aspectos relacionados a mulher, voltando seu olhar especialmente, à mulher negra marginalizada, pobre, vítima da violência e de uma sociedade patriarcal. A mulher negra neste contexto é colonizada duplamente, por viver em uma sociedade patriarcal já instituída e por sua cor. A linha de pesquisa na qual se insere este trabalho é literatura e vida social e, por isso, tomando o texto literário para refletir sobre a sociedade. A fim de sustentar teoricamente o trabalho temos como base o texto de crítica literária de Antonio Candido Literatura e Sociedade (2006) e de outros teóricos e críticos que seguem a mesma linha de raciocínio. Palavras-chave: Literatura; Mulher Negra; Subalternidade. Ainda hoje somos surpreendidos com as tentativas de silenciamento das mulheres, sobretudo, as mulheres negras oriundas da periferia. No dia 14 de março de 2018 fomos notificados através dos noticiários e pelos compartilhamentos nas redes sociais do assassinato brutal, com 4 tiros na cabeça, da vereadora do Rio de Janeiro, Marielle Franco. A 5ª vereadora mais votada no Rio de Janeiro - mulher, negra, bissexual e proveniente da periferia - era uma figura que se destacava pelo seu envolvimento com questões relacionadas a raça e ao gênero. Apesar da visibilidade que essa mulher possuía, ela foi silenciada de forma bárbara. Tal fato nos leva a pensar sobre as mulheres anônimas negras e oriundas da periferia que diferente de Marielle Franco, não têm voz e visibilidade na sociedade. Quando propomos discutir um tema relacionado a gênero devemos considerar alguns elementos que são essências para refletir sobre o assunto, sendo um deles o fato de que não podemos discorrer sobre as ditas minorias, aqui nos propomos a tratar sobre as mulheres, como se elas estivessem todas num mesmo patamar, pois como afirma Piscitelli (2009, p. 124) “hoje em dia, ser mulher […] varia muito de acordo com o 1 Doutorando em Estudos Literários (UNEMAT), Mestre em Estudos de Linguagem (UFMT), Graduado em Letras e Comunicação Social habilitação em Jornalismo (UFMT). Contato: celiomarramoss@hotmail.com. 2 Mestranda em Estudos Literários (UNB), Graduada em Letras (UFMT). Contato: rosineia_ferreira@yahoo.com.br 922